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Penálti: a arte e o engenho de saber para onde vai a bola

Penálti: a arte e o engenho de saber para onde vai a bola

É assinalada grande penalidade no jogo entre Portugal e Suécia, por falta provocada por Bruno Alves sobre Ibrahimovic. Rui Patrício é chamado a defender. O que influencia a escolha entre o lado esquerdo ou o direito no momento do remate?

Foi esse o objetivo do trabalho “Indicadores da tomada de decisão na marcação da grande penalidade no futebol”, da autoria de Paulo Costa e Marco Batista, embora a uma escala mais regional, e que mereceu o primeiro lugar nos estudos sobre o futebol distrital que a Associação de Futebol de Leiria.

“O desporto, de uma forma geral, e o futebol, em particular, cada vez mais se suportam em dados e estudos científicos para melhorar performance e desempenho. Os técnicos e responsáveis das equipas estão mais atentos a estes pormenores que podem fazer a diferença durante a competição, dedicando portanto, momentos de preparação específicos na fase de treino”, explicam os autores, que se depararam com uma significativa escassez de estudos nesta área.

O recurso a departamentos de observação (scouting), estudo da atitude comportamental técnica e tática do adversário, treino de guarda-redes com treinador específico, experiência e antecipação ao lance são alguns elementos que estão a ser cada vez mais utilizados e que, quando corretamente aplicados, podem “maximizar os níveis de rendimento e performance” na competição.

Outro dos resultados observados nesta investigação reporta que “os marcadores da grande penalidade, sempre que os guarda-redes tentavam influenciar o remate através do levantamento de um dos braços, a bola era colocada no lado contrário ao braço movimentado”.

Por último, “os atletas destros escolhem preferencialmente o ângulo aberto ao sair para a bola. Efetuam maioritariamente o remate para o lado do pé que remata”. Esta tendência verifi­ca-se também nos atletas que efetuam o remate com o pé esquerdo, quer na lateralidade, quer no ângulo de partida.

Percebe agora porque é que o guarda-redes da seleção Ricardo festejou entusiasticamente a defesa da grande penalidade frente a Inglaterra, em 2004? É que a juntar a toda esta enciclopédia de informação, é ainda preciso contar que “a bola depois de rematada, chega à baliza em menos de 0,5 segundos”. Boas decisões e bons penalties.

(Leia o texto publicado na íntegra na edição de 14 de novembro de 2014)

Marina Guerra (texto)
marina.guerra@regiaodeleiria.pt
Jorge Morgado (ilustração)

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