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Sociedade

Doze filmes "made in" Leiria e Batalha lançados no festival Cinantrop

À segunda edição do festival, que depois de Leiria chega este fim de semana a Lisboa, 12 estreias propuseram olhares sobre a etnografia da região.

Morcela de arroz, pastores, chícharo e doces regionais, mas também postais turísticos e intervenção cívica. À segunda edição, o Cinantrop chegou a Leiria propondo 12 novos filmes que lançam um olhar para a paisagem local, numa tentativa de fixar aspetos etnográficos, patrimoniais ou outros, dos concelhos de Leiria e Batalha.

Mas, afinal, que filmes são estes que se candidataram ao Prémio António Campos 2014?

“Há filmes que tentam preservar a identidade e as tradições da região e outros que defendem mais o tema património. Poderão funcionar como memória futura de tradições que não sabemos quanto tempo durarão”, explica Ricardo Graça, fotógrafo e um dos elementos do júri que viu, em primeira e atenta mão, as 12 novas produções.

Todos os filmes se apresentaram candidatos a três prémios: o António Campos, no valor de 750 euros, e os de melhores filmes de Leiria e Batalha, no valor de 400 euros cada. Para Ricardo Graça, o cariz etnográfico do festival está mais presente nuns filmes do que noutros.

“Encontrámos ali várias estéticas… Desde coisas mais institucionais, ou promocionais, a intervenções com uma postura mais critica sobre a região. Mas a região fica sempre a ganhar. Mais vale ter no espólio do que não ter”, sublinha o jurado, que só estranha não haver maior participação:

“Num tempo em que o uso de máquinas fotográficas e de telemóveis que filmam estão totalmente banalizados é pena que não haja mais filmes a concurso”.

Mais crítico é o realizador Pedro Neves, natural de Leiria e também jurado convidado do Cinantrop.

“Acho muito bom que se tentem filmar costumes e tradições da etnografia” mas, aponta, entre os autores participantes, “infelizmente são poucos os que entendem a linguagem do cinema e, mais concretamente, do documentário”.

“Nota-se muita falta de cultura visual, de cultura cinematográfica. A maior parte dos filmes a concurso são uma espécie de spots de Youtube, daqueles que se fazem para ter muitas visualizações e para as pessoas acharem bonitos. Isso, para mim, não tem lugar num festival”, crítica o realizador.

Olhando para a obra de António Campos, Pedro Neves recomenda que se ponha os olhos na obra do realizador de Leiria já desaparecido.

“Falta ver e rever os filmes dele dele – e de outros -, falta ousadia e, essencialmente, falta quererem estar a perder tempo para entender que não basta pegar numa câmara e ir filmar”.

Apesar disso, Pedro Neves recomenda vivamente o Cinantrop. “Para quem concorre é um bom incentivo para começar a aperfeiçoar. E esta ideia do festival é uma excelente iniciativa. Só é pena o apoio da Câmara de Leiria ser completamente ridículo…”.

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Sofia Mota, Ricardo Portela e Joel Rainho filmaram a produção de uma especialidade: a morcela de arroz

O filme “Doces regionais do Reguengo do Fetal”, uma criação do rancho daquela freguesia da Batalha, venceu o Grande Prémio António Campos, atribuído pelo Cinantrop – Festival Internacional de Cinema Etnográfico.

“Pastor Polis”, de Joaquim Dâmaso e Manuel Leiria, jornalistas do REGIÃO DE LEIRIA, venceu o prémio António Campos (concelho de Leiria), enquanto “Morcela de Arroz”, de Ricardo Portela e Sofia Mota, recebeu a distinção de melhor filme do concelho da Batalha.

O festival Cinantrop parte agora para Lisboa, onde fará exibições destes e de outros documentários, nos dais 16 e 17 de maio, no CinemaCity de Alvalade.

Entretanto, e até julho, quando o festival chegará também a Ourém, estão previstas projeções de filmes em algumas aldeias da região.

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