Os projetos terminam dia 31 de dezembro de 2014 e a carta de despedida já seguiu. A associação Mulher Século XXI está em risco de perder as duas psicólogas que diariamente dão apoio às vítimas de violência doméstica na região.

violenciaNa associação, que só no mês de setembro atendeu 186 vítimas de violência, ficarão apenas três pessoas: Isabel Gonçalves, presidente da direção, e duas colaboradoras, em estágio.

“Neste momento vivemos de projetos financiados por fundos comunitários, através do POPH (Programa Operacional Potencial Humano), direcionados para escolas. São estes projetos que nos dão a possibilidade de pagar os ordenados a quem os desenvolve e que, simultaneamente, está a atender as vítimas”, explica Isabel Gonçalves.

Mas o trabalho junto das escolas acaba no próximo mês e, por enquanto, não há sinal de novas candidaturas ao novo Quadro Comunitário. “Fala-se que lá para meados do primeiro trimestre de 2015, mas não é certo”, lamenta a responsável.

Consciente de que o trabalho desenvolvido pela Mulher Século XXI não tem fim e que surgem cada vez mais situações de violência doméstica, Isabel Gonçalves receia pelo futuro da associação, mas também das vítimas.

“Nunca houve tanta agressividade, tantos homicídios. Nunca tivemos um ano em que de janeiro a junho morressem 24 mulheres, uma por semana”, disse.

 

Denunciar e ajudar

Quem pode denunciar uma situação de violência doméstica ou no namoro?
Qualquer pessoa. A violência doméstica é um crime público, o que significa que não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime, para que o Ministério Público promova o processo. Depois da participação, já não é admissível desistência da queixa.

Se tiver conhecimento de um caso, para onde devo ligar?
Esquadra da PSP ou posto da GNR da área de residência, Polícia Judiciária ou em associação de apoio a vítimas.

Tenho que me identificar?
Não. A denúncia é anónima e pode ser feita pela própria vítima, um familiar, um vizinho ou simplesmente alguém que tenha conhecimento.

 

Marina Guerra
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

Artigo publicado na íntegra na edição de 13 de novembro de 2014