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Médico João Morais pede “requalificação do Centro Hospitalar de Leiria” em carta aberta ao ministro da Saúde

Médico João Morais pede “requalificação do Centro Hospitalar de Leiria” em carta aberta ao ministro da Saúde

Dois dias depois de Helder Roque ter anunciado que vai permanecer à frente do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia, endereça uma carta ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, onde aborda “numa perspetiva inteiramente pessoal, o momento que se vive no CHL”.

João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia do CHL

João Morais refere que o anúncio da continuidade de Helder Roque foi recebido com “grande regozijo” pelos profissionais da instituição, mas que “coloca responsabilidades acrescidas a quem dirige a saúde em Portugal”.

O médico cardiologista destaca que, na última meia dúzia de anos, sob a liderança de Helder Roque, o CHL “atingiu um elevado nível assistencial, transformando-se num exemplo de gestão, mas acima de tudo num exemplo sobre a forma como é possível em poucos anos transformar de forma radical uma instituição hospitalar no âmbito do SNS”.

Para João Morais, o CHL “é hoje uma das mais importantes unidades do país” e dispõe de “serviços que são hoje uma referência de qualidade nas suas áreas”.

No futuro, o clínico entende que só existem dois caminhos possíveis para o CHL: “ou a tutela olha para ele de forma diferente, ajudando a promover a continuidade do seu crescimento, discriminando-o de forma positiva, ou tudo aquilo que com elevado esforço se conseguiu vai ser muito difícil de manter”.

João Morais sustenta que “a requalificação do CHL deve estar na ordem do dia de forma a consolidar o seu crescimento”. Refere em concreto a “requalificação técnica com a abertura de novas valências; requalificação dos espaços físicos de modo a acolher o crescimento; requalificação financeira acabando com o sufoco permanente em que se vive; e finalmente requalificação de mentalidades”.

Para o diretor do Serviço de Cardiologia, o CHL necessita de “um plano a cinco ou dez anos, que possa ir para além das legislaturas” e “não pode ficar eternamente esmagado pela proximidade do maior centro hospitalar nacional situado em Coimbra”.

O REGIÃO DE LEIRIA teve acesso à carta de João Morais, e publica-a aqui na íntegra:

CARTA ABERTA AO SENHOR MINISTRO DA SAÚDE
Doutor Adalberto Campos Fernandes

O Centro Hospitalar de Leiria (CHL) foi ontem brindado com uma notícia que certamente vai ter grande impacte na instituição. O Dr Helder Roque (HR), que há vários anos preside ao conselho de administração e que em Novembro passado anunciara a sua indisponibilidade para continuar, anunciou que tinha sido mandatado pelo Senhor Ministro da Saúde para mais um mandato de três anos e que ele aceitara. A ovação de um auditório cheio de profissionais representou como que uma descompressão de todos que ansiavam por este anúncio, mas que não tinham a certeza que o mesmo pudesse acontecer.

Não creio que haja paralelo em Portugal de uma situação como a que se viveu após o anúncio da não continuidade do Dr HR. De forma massiva os profissionais do CHL manifestaram-se numa onda de solidariedade ao seu líder, imediatamente seguidos por autarcas, empresários, jornais, cidadãos anónimos, reunidos numa expressão de vontades que não estamos muito habituados a ver.

Certamente que todo este movimento é uma expressão de amizade para com o Dr HR, figura que não sendo da terra ao longo da vida granjeou uma enorme popularidade junto dos leirienses, mas representa muito mais do que isso e é neste ponto que reside a motivação para escrever esta carta.

O CHL, na última meia dúzia de anos, sob a liderança do Dr HR, atingiu um elevado nível assistencial, transformando-se num exemplo de gestão, mas acima de tudo num exemplo sobre a forma como é possível em poucos anos transformar de forma radical uma instituição hospitalar no âmbito do SNS.

O CHL é hoje uma das mais importantes unidades do país, especialmente se excluirmos da análise os hospitais designados como centrais, os quais trabalham com regras e condições bem diferentes, designadamente a nível dos contratos-programa que assinam com a tutela. O mesmo doente que recorre ao CHL, se recorrer a uma daquelas unidades, tem um valor, para os mesmos atos, claramente superior.

O CHL é talvez a maior unidade de saúde do seu nível, com uma área de referenciação de doentes superior a 400 mil habitantes, mais de 600 camas e um serviço de urgência com um número de atendimentos/dia só atingido nos grandes hospitais.

O CHL tem serviços que são hoje uma referência de qualidade nas suas áreas.

O CHL forma um número cada vez maior de jovens médicos, tendo ainda uma presença científica nos grandes congressos nacionais e internacionais, fruto de uma atividade cientifica interna intensa, de nível só ultrapassado pelos hospitais universitários e creio que nem todos.

O CHL tem uma excelente imagem junto dos seus fornecedores, entre outras razões porque sabe honrar os seus compromissos.

Mas acima de tudo o CHL tem uma excelente imagem junto dos seus doentes e da população que serve e só assim se percebe o apoio reiterado dos autarcas, que ao longo dos anos sempre estiveram presentes manifestando o seu apoio e olhando para o CHL como uma mais-valia para a região que representam.

Senhor Ministro da Saúde

O CHL só tem dois caminhos possíveis. Ou a tutela olha para ele de forma diferente, ajudando a promover a continuidade do seu crescimento, discriminando-o de forma positiva, ou tudo aquilo que com elevado esforço se conseguiu vai ser muito difícil de manter.

A manutenção do Dr HR à frente dos destinos da instituição só faz sentido se todos assumirmos que queremos a primeira opção. É por acreditarmos que esta é a única opção possível, que vale a pena pedir ao Dr HR mais este sacrifício, porque é ele que está em melhores condições para prosseguir com aquele objetivo.

A requalificação do CHL deve estar na ordem do dia de forma a consolidar o seu crescimento. Requalificação técnica com a abertura de novas valências; requalificação dos espaços físicos de modo a acolher o crescimento; requalificação financeira acabando com o sufoco permanente em que se vive; e finalmente requalificação de mentalidades, assumindo de forma clara que queremos no futuro, não longínquo, ter um hospital de nível terciário, fim de linha em muitas áreas, as quais deverão ser definidas com base num planeamento eficaz.

O CHL não pode ser planeado ano a ano. O CHL precisa de um plano a cinco ou dez anos, que possa ir para além das legislaturas. O CHL não pode ficar eternamente esmagado pela proximidade do maior centro hospitalar nacional situado em Coimbra. A saúde dos portugueses e em especial a saúde da região em que nos inserimos, não pode estar dependente de terceiros como acontecia no passado e que infelizmente ainda acontece no presente em múltiplas áreas.

Este é o espirito que deve prevalecer e ao saudarmos a manutenção do Dr HR à frente do CHL, estamos todos a dar o aval e a subscrever a melhor opção.

Leiria, 1 de Fevereiro de 2017

João Morais
Diretor do Serviço de Cardiologia
Centro Hospitalar de Leiria

 

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