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Ministro da Economia visitou empresas de Vieira de Leiria afetadas pelo fogo e prometeu apoio

A empresa Vincarte , em Vieira de Leiria, ficou totalmente destruídas pelas chamas  Foto: Joaquim Dâmaso

O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, visitou hoje, quarta-feira, duas empresas da Marinha Grande, no distrito de Leiria, que foram afetadas pelo incêndio do dia 15 e cujos prejuízos ascendem a meio milhão euros, prometendo apoios.

No meio dos destroços da empresa Vincarte, que ardeu na totalidade, Manuel Caldeira Cabral ouviu o proprietário, Armando Constâncio, relatar os prejuízos que se situam entre os “350 e 450 mil euros”.

“Ficámos sem nada. Máquinas, uma delas comprada há quatro meses, e matérias-primas”, adiantou Armando Constâncio ao ministro, referindo que a empresa que produz embalagens de cartão canelado está a laborar em Leiria, num “espaço cedido por uma empresa que se deslocalizou para a Marinha Grande”.

“O meu património são bens intangíveis: Se perco os clientes, a empresa acabou. O que mais desejo é não perder o contacto com o cliente e, por isso, o incêndio foi no domingo e na terça-feira já estávamos a trabalhar”, revelou o empresário, informando que a empresa tem oito postos de trabalho, que pretende garantir.

Por outro lado, a Leiriaços ardeu parcialmente: “Perdemos o ‘stock’ e as máquinas de embalar. Os bombeiros ainda tentaram salvar alguma coisa, mas já não foi possível”, explicou o sócio-gerente João Dinis, lamentando ter de começar a repor o ‘stock’, que “ficou a zero”.

“É uma empresa familiar, com cinco trabalhadores. Muito dos nossos clientes têm-nos feito chegar mensagens de apoio e um deles efetuou uma encomenda assim que soube o que nos aconteceu, o que nos dá ânimo”, disse João Dinis ao ministro.

Manuel Caldeira Cabral afirmou que a preocupação que denotou nos empresários é que pretendem “cumprir” e que “não podem parar de trabalhar”.

“Neste período em que estão a repor a capacidade produtiva, têm que encontrar uma forma de continuar a honrar os seus compromissos com os trabalhadores. Vi empresários que querem retomar a atividade, que não querem baixar os braços, que querem voltar ao trabalho e o Governo está cá para os apoiar”, sublinhou o ministro da Economia.

O governante salientou ainda o papel das câmaras municipais, que têm mostrado “uma vontade muito grande de estar ao lado dos empresários e das empresas para esta importante missão”.

“Todos estamos empenhados em voltar a pôr estas empresas a trabalhar”.

Manuel Caldeira Cabral adiantou que o Governo já aprovou incentivos aos empresários e que “incluem não só a reposição da capacidade produtiva, mas também para casos em que as empresas queiram fazer alguma expansão da sua capacidade ou para novos investimentos” e é nesse sentido que também existem “linhas de financiamento para esses investimentos”.

Segundo o governante, será efetuado um apoio de 85% a fundo perdido, “porque o que houve aqui foi uma perda e é preciso repor essa perda”.

A manutenção dos postos de trabalho é uma das principais preocupações para o Governo. “Os encargos com os trabalhadores podem ser assumidos temporariamente pela Segurança Social, fazendo com que as empresas tenham assim capacidade para manter os postos de trabalho, enquanto se reconstroem”, disse Caldeira Cabral, admitindo que possa existir formação até a empresa voltar à atividade.

Para garantir a continuidade de investimentos em zonas florestais, Caldeia Cabral disse que é preciso “tornar as zonas industriais mais resilientes e mais protegidas” e “dar uma resposta rápida para não se pôr essa questão”.

A nível nacional, o levantamento provisório dos danos provocados pelos incêndios de 15 de outubro aponta para perto de 350 empresas afetadas e um total de danos no sector económico de cerca de 360 milhões de euros, informou esta quarta-feira o Governo.

“Os números que temos apontam para perto de 350 empresas que sofreram danos, algumas delas totalmente, outras parcialmente”, disse o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, que falava aos jornalistas, após uma reunião de trabalho na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), em Coimbra.

Segundo o membro do executivo, o total de prejuízos provocados pelos incêndios de 15 de outubro “anda à volta de 360 milhões de euros”, sendo que o impacto no tecido económico tem uma “incidência muito forte na região Centro”.

A sessão em Coimbra contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, da presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, do ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, do ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Lusa

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