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Casa da Cultura de Maceira: Do ensino das artes à defesa do património local

Jorge Francisco nas instalações da nova associação, onde já funciona a escola de artes   Foto: Joaquim Dâmaso

Já não é uma ideia nem uma intenção. A Casa da Cultura de Maceira – Associação Cultural ACM nasceu formalmente, no passado dia 6 de dezembro, com a celebração da escritura de constituição por 18 sócios fundadores.

Este passo vem criar condições para “a realização e promoção de atividades no universo das artes e da cultura” de um modo geral, mas sobretudo “valorizar a memória e o património material e imaterial” da Maceira.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, Jorge Francisco, mentor e impulsionador do projeto, explica que além das artes, “a memória coletiva do local”, aquilo que designa por “espírito do lugar”, é uma vertente determinante do trabalho que esta associação sem fins lucrativos há de vir a desenvolver.

“A nossa intenção, através da Casa da Cultura, é reunir pessoas interessadas em recolher a informação que temos da Maceira, nomeadamente da passagem dos romanos, pegar nesse património e restitui-lo ao povo”, adianta. A criação de um museu não está fora de hipótese, mas até que essa ideia se materialize a Casa da Cultura deverá ser o local onde esse espólio esteja acessível. “É através disso que queremos criar o carácter e a identidade do local”, sublinha, salientando que “quanto mais carácter e identidade tiver, mais forte se torna e mais seguro está para um futuro que se avizinha bastante difícil”.

Outras vertentes da Casa da Cultura serão a realização de simpósios alusivos a temas como a floresta, o barro ou a pedra, uma bienal e até um ripper café, “um local de partilha de conhecimento” que tem como objetivo principal a atração de um público mais jovem. “É importante que eles apareçam e segurem alguns projetos”, nomeadamente em disciplinas como cinema, teatro, música e fotografia, acrescenta Jorge Francisco.

A par disso, na Casa da Cultura continuará a funcionar o Centro de Artes e Cultura da Maceira, projeto que está na génese da associação cultural que agora nasceu. Trata-se de uma escola de iniciação ao desenho e à pintura, criada em 2013 por Jorge Francisco, e que, desde setembro deste ano, ocupa um antigo jardim-de-infância, perto da igreja matriz. Por enquanto, essa é também a “sede” da Casa da Cultura, mas a ocupação de um outro espaço faz parte dos planos. “Locais muito interessantes” não faltam na freguesia e o que faz sentido é “a laboração num espaço mais abrangente nas disciplinas da arte”, refere.

Para ver a luz do dia, a Casa da Cultura já contou com o apoio de várias entidades e essa relação de parceria será para manter. Entre esses parceiros estão também algumas empresas e, desse ponto de vista, a região é “extraordinária”. “Sempre achei que através das indústrias a arte podia ir mais longe. As indústrias podiam suportar as artes e as artes podiam levar a indústria muito mais longe, uma coisa não vive sem a outra”, salienta Jorge Francisco.

No âmbito da associação que agora ganha forma, as empresas podem constituir-se como “um suporte financeiro” – mediante uma quota de sócio mais elevada, por exemplo – e com benefícios.

A Casa da Cultura está no início, mas ideias não faltam à equipa que lhe está a dar vida. “Quem sabe se amanhã podemos ter uma coisa, não tão local, mas mais regional e até nacional?”, questiona Jorge Francisco, concluindo que este é “um projeto abrangente que espera associados”.

(Notícia publicada na edição de 14 de dezembro de 2017 do REGIÃO DE LEIRIA)

Patrícia Duarte
Jornalista
patricia.duarte@regiaodeleiria.pt

O arquiteto de todas as artes

Foi a sua primeira obra de arquitetura de interiores, em 1993. Outros se seguiram, mas o Opus Bar, na avenida Marquês de Pombal, em Leiria, ficará para sempre associado ao nome de Jorge Francisco.
Arquiteto de profissão, mas com formação em pintura, estética e história da arte na Sociedade Nacional de Belas Artes, tem sido responsável pela gestão de gabinetes de projetos de arquitetura e engenharia, em Maceira, Leiria e mais recentemente em Lisboa, onde abriu um ateliê em 2010.
Entre exposições individuais e coletivas, tem estado ligado a diversos projetos artísticos. Um deles, aconteceu em 2014, no Mercado de Santana, e envolveu a participação de 43 artistas de todo o país.
Com raízes familiares na Maceira, é conhecida a sua atuação em prol do desenvolvimento da freguesia. A Casa da Cultura, destinada a promover e realizar arte e cultura nas suas diferentes disciplinas, é agora a menina dos seus olhos.

A Casa da Cultura de Maceira nasce com 62 sócios, 18 dos quais são fundadores. Integram esse grupo: Abílio Febra, Agostinho Ascenso, Agostinho Espírito Santo, Agostinho Jacinto, Ana Cristina, Ana Elisa Santos, Ana Paula, António Febra, Carlos Ferreira, Jorge Bajouco, Jorge Francisco, José Duarte, Luís Ferreira, Luís Prata, Luís Santana, Renato Ribeiro, Sónia Honório, Vítor Lourenço

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