No âmbito da investigação foram apreendidas 16 viaturas de gama alta

O Ministério Público ainda não deduziu acusação no âmbito do processo que, em maio do ano passado, conduziu à constituição de 14 arguidos, incluindo o gestor da empresa leiriense Silora, Luís Filipe Lourenço, indiciado de liderar uma rede suspeita de se apoderar de cinco milhões de euros de fundos comunitários.

“Acusação não há”, confirmou na passada terça-feira, 27 de fevereiro, ao REGIÃO DE LEIRIA, o advogado, que esteve em prisão preventiva mas foi restituído à liberdade a 11 de julho de 2017.

O arguido, detido a 23 de maio do ano passado, em simultâneo com os restantes suspeitos – todos a aguardar o desenvolvimento do processo em liberdade – adiantou que “a demora em acusar terá a ver com a reunião de provas”.

Luís Filipe Lourenço adiantou que “quando tudo estiver terminado” tomará uma posição sobre o processo, mas lamentou “o julgamento na praça pública” e a demora da ação judicial. O gestor da Silora está proibido de contactar as outras pessoas constituídas arguidas na sequência da “Operação Inovar”.

Segundo o Departamento Central Investigação e Ação Penal (DCIAP), o advogado e uma consultora são suspeitos de fraude na obtenção de subsídios, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, no âmbito de uma investigação relacionada com apoios do Quadro de Referência Estratégica Nacional.

A investigação, iniciada em 2012 pela Polícia Judiciária, conduziu à constituição de mais 12 arguidos, empresários e consultores, além de nove empresas.

Os suspeitos receberiam fundos comunitários, no âmbito do programa Inovação, destinados à aquisição de máquinas para a área da reciclagem de resíduos domésticos, mas comprariam viaturas de alta cilindrada para uso próprio ou revenda em stands, através de esquemas de sobrefaturação.

Carlos Ferreira
Jornalista
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Luís Filipe Lourenço