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Alunos da EB1/JI de Andrinos têm aulas ao ar livre e apostam na reabilitação da escola

Nas traseiras da escola, cerca de 80 crianças trabalham divididas em grupos. De um lado, calcula-se a área da horta e quantas sementeiras podem ser adicionadas ao lado das curgetes, couves e alfaces que já lá estão. Noutro canto, são distribuídos tubos de cola aos alunos mais velhos do grupo, que ficarão responsáveis por ajudar os mais novos a usar a cola nas tampas de plástico que vão utilizar para decorar uma estrela. “Eu é que sou mais velho”, exclama prontamente um menino, gerando um burburinho para aferir quem fica com a tarefa.

À entrada do refeitório, outro grupo de crianças utiliza o assento das cadeiras para pintar nas folhas em branco que receberam, o desenho que querem ver na parede que dá acesso ao recreio.

Foi desta forma que a Escola Básica e Jardim de Infância (EB1/JI) de Andrinos, em Pousos, assinalou, pela primeira vez, o Dia de Aulas ao Ar Livre, na quarta-feira, dia 17. O desafio foi lançado pela associação de pais, e aceite prontamente pelo corpo docente.

A iniciativa foi criada em 2012 no Reino Unido e, em 2016, chegou a Portugal por iniciativa do Movimento Bloom. Na edição deste ano, participaram mais de 62 mil crianças em Portugal e cerca de 30 escolas da região estiveram envolvidas. O principal objetivo é que os estudantes possam estar no exterior da sala de aula a aprender e aplicar matérias letivas, de uma forma mais divertida, ou seja, a brincar.

Margarida Nogueira é educadora de infância há 36 anos e há 17 que acompanha os alunos que passam pelo estabelecimento de ensino. Talvez, por isso, seja constantemente interpelada pelos alunos e coordene boa parte das atividades.

Acredita que a aprendizagem ao ar livre beneficia a concentração das crianças e facilita a resolução de problemas. “Basta olhar à nossa volta e perceber que ninguém está a impor que trabalhem. Cada aluno está empenhado na sua tarefa, seja a medir os canteiros, a fazer as contas para calcular áreas ou a desenhar a disposição dos legumes na horta”, realça.

Também Miguel Espírito Santo, professor coordenador do 1º ciclo, concorda com a necessidade das crianças “em estar cada vez mais na rua para brincar e experimentar coisas diferentes”.

Acrescenta que a escola aproveitou a iniciativa do Dia de Aulas ao Ar Livre para “pôr em prática a flexibilização curricular”, com alunos de várias idades a trabalhar em conjunto para encontrar soluções para os constrangimentos que a escola vive, nomeadamente a reabilitação dos recreios escolares. A pintura de um mural para “esconder” marcas de infiltrações e a criação de mensagens a alertar para a redução de velocidade e proximidade de escola foram outras das iniciativas que ocuparam as crianças.

Ainda que o Dia de Aulas ao Ar Livre seja assinalado só num dia, o corpo docente da EB1 de Andrinos refere que o trabalho não termina e os estudantes vão voltar em breve ao exterior para continuar a aprender e, sobretudo, brincar.

PS

(Artigo publicado na edição de 24 de maio de 2018)

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