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“Nevão” de algodão na primavera: eis o bode expiatório das alergias

“Nevão” de algodão na primavera: eis o bode expiatório das alergias

O “algodão” frequentemente apontado como proveniente dos plátanos que habitam na cidade de Leiria, impulsionado pelo vento, provoca o fenómeno que coincide com a época em que as alergias se revelam mais intensas e frequentes. Serão os plátanos os responsáveis?

São antes o bode expiatório perfeito. O REGIÃO DE LEIRIA republica um artigo inicialmente publicado em maio de 2015 e que permite esclarecer este comum mal entendido. Elisa Pedro, na altura vice-presidente da SPAIC – Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, esclarecia então que os chamados algodões são provenientes dos choupos e não dos plátanos. A confusão “decorre do facto das sementes destas árvores produzirem grandes quantidades de pelos brancos”.

Algo que acontece também com muitos salgueiros, acrescenta. Surgem os novelos chamados “flocos de algodão branco” que se acumulam nas bermas de estradas e caminhos. Os plátanos, completa Elisa Pedro (que atualmente preside à SPAIC), “têm uma alergenicidade moderada, polinizam em março e abril e o pólen apesar da sua pequena dimensão não se afasta muito das fontes produtoras depositando-se rapidamente no solo”.

Já a libertação das sementes do choupo, acrescenta Elisa Pedro, “coincide com o período de polinização das gramíneas, grupo de plantas herbáceas cujo pólen é responsável por um elevado número de aeroalergénios e que, esse sim, poderá ser a causa das manifestações alérgicas respiratórias”.

Contudo, é invisível. Elisa Pedro deixa algumas formas de minorar o problema. O recurso a podas parciais e seletivas, no período de pré-frutificação, é uma das possibilidades. Uma solução mais “engenhosa”, acrescenta, “será a de utilizar apenas indivíduos masculinos como ornamentais pois apenas os femininos produzem as tais sementes”.

Afinal, quais são as plantas responsáveis por alergias? No nosso país, as gramíneas – que incluem cereais como o trigo, aveia, milho, arroz – são a principal causa de polinose (alergia ao polén), bem como a oliveira e a parietária, conhecida vulgarmente como Alfavaca da Cobra. Já os pólenes das flores “raramente estão implicados, porque têm grandes dimensões e peso relativo que impedem a sua dispersão aérea, é o seu odor ativo que desencadeia os sintomas interpretados como alergia”, explica Elisa Pedro.

O certo é que os pólenes são transportados pelo vento e “é por isso que os doentes alérgicos aos pólenes têm mais sintomas nos dias ventosos”, acrescenta. Ao invés, “nos dias de chuva há uma redução do número e concentração de pólenes na atmosfera”. Na cidade a situação agrava-se pois “a poluição urbana fragmenta os pólenes facilitando a sua entrada nas vias aéreas e tornando-os mais alergénicos”.

Para evitar estes efeitos na saúde, Elisa Pedro aconselha, entre outras medidas, a consulta do boletim polínico, seguir a medicação prescrita pelo médico, usar óculos escuros, evitar atividades ao ar livre e programar férias na praia ou na neve, locais de baixas contagens polínicas.

Nota: Texto originalmente publicado a 28 de maio de 2015 no REGIÃO DE LEIRIA e adaptado para republicação online. 

 

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