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MDR BTT: Não há domingo sem volta, nem volta sem história

Ricardo Ginja, Hélder Fragoso, Luís Passadouro, Valter Barreirinhas e Ricardo Pereira participaram em ultramaratona em Espanha

Ponto de encontro: largo do Rossio, Moita da Roda, às 8h30. É assim todos os domingos. Amigos e adeptos de BTT começam a manhã com um café e partem para 60 km de bicicleta e muita adrenalina.

Pelo meio há quedas, “fugas do pelotão”, conversas informais e muita risada. É assim desde 2011, data em que o MDR BTT (Moita da Roda BTT) se assumiu como equipa. Atualmente com 12 elementos, com idades entre os 20 e os 50 anos, e de várias localidades: Moita da Roda, Conqueiros, Mata dos Milagres, Assenha, Ortigosa e até Madrid.

O percurso é decidido no momento da partida, dependendo do estado de espírito e dos objetivos. Se existir uma prova em breve, o treino será mais exigente. Se ao tempo o permitir, a velocidade é testada. “Optamos também por tracks definidos na região, que é excelente para a prática do BTT. A Pia do Urso, as serras de Aire e Candeeiros,…”, diz Ricardo Ginja, um dos fundadores da equipa.

A paixão pela modalidade não se limita às voltas domingueiras, como lhe chamam. Ocasionalmente, participam em provas regionais e nacionais e a dita volta serve de treino.

No domingo, dia 24, a MDR BTT vai estar no III Raid BTT Vila de Maceira. O pódio não está nos objetivos. Antes “a união do grupo”, “completar o trajeto e aproveitar o momento ao máximo”, dizem.

Quase todos têm experiências desportivas anteriores em outras modalidades mas no BTT são autodidatas. “Já fomos peritos em cair. Agora, com o tempo, vamos melhorando”, afirma Hugo Pascoal, de 30 anos, que chegou a fazer diretas para poder participar no convívio de domingo.

“Eu admiro esta malta nova, que ao sábado vai sair e no domingo se levanta cedo para ir andar de bicicleta”, acrecenta Luís Passadouro, de 50 anos e o mais velho do grupo. É conhecido como o “pai Luís do BTT” e, segredam alguns elementos, “o que está em melhor forma física”.

É esta ligação quase familiar que os une e distingue de muitos outros grupos de cicloturistas, realçam. Não pedalam para vencer e gostam de partilhar e desabafar dos problemas da semana de trabalho.

Tiram dezenas de fotografias que partilham no WhatsApp – “porque somos também um pouco vaidosos”, diz Ricardo Ginja – e seguem-se comentários sem fim. Chegam mesmo a agradecer às famílias este “tempinho”: “Os nossos corações aquecem com o convívio e boa disposição que cada um de nós transporta, agradecemos aos nossos familiares por nos facultarem este tempinho que tão importante é para as nossas amizades”, partilharam na página de Facebook.

“Os nossos corações aquecem com o convívio e boa disposição que cada um de nós transporta, agradecemos aos nossos familiares por nos facultarem este tempinho que tão importante é para as nossas amizades”, partilharam na página de Facebook

Aventura internacional
A boa onda dos amigos da Moita da Roda é conhecida e reconhecida onde quer que vão. Os equipamentos, adquiridos à conta de (muitos) pedidos de patrocínios ajudam a identificá-los mas admitem que não querem subir a fasquia. “As responsabilidades serão outras e o convívio irá ficar para trás. Um ano fizemos um passeio mas não fizemos mais. Ou se faz um coisa em grande e é para continuar ou não vale a pena morrer à nascença”, considera Luís Passadouro.

Em grande foi a aventura em Espanha. Pela terceira vez, a MDR BTT participou na prova Los 10.000 del Soplao, em Cabezon de la Sal, no norte de Espanha, uma ultramaratona com 163 km e 5.000 metros de desnível positivo (cerca de três vezes a subida à serra da Estrela).

O desafio foi lançado, pela primeira vez, em 2014, por Ricardo Pereira, o elemento que vive em Madrid, e que acabou por participar sozinho. Em 2016, juntaram-se João Vitorino e Valter Barreirinhas. E em maio, a experiência foi alargada a mais atletas: Ricardo Pereira, Valter Barreirinhas (ambos repetentes), Ricardo Ginja, Luís Passadouro e Hélder Fragoso.

O objetivo principal, que foi atingido, seria chegar à meta. Mas o caminho não foi fácil. A dureza física e psicológica do trajeto testou os valentes da Moita da Roda e, aos 90 km, quando as dores e o desgaste no corpo eram evidentes, o grupo ponderou desistir. “O Luís olhou para o grupo e dizia ‘Eu com 160 km sou o mesmo homem do que com os 80 km. Ó Valter ficavas chateado se desistissemos?’ E eu respondi-lhe ‘Se eles conseguem, nós também”, conta o repetente na aventura.

Certo é que a tomada de posição serviu de clique e o grupo decidiu completar todo o trajeto. Demoraram 14h30, fizeram oito paragens e, no total, houve quem consumisse 10 litros de água, dois litros de bebidas energéticas, 24 bananas e uma embalagem de marmelada.

“O espírito de grupo, companheirismo e motivação que nos caracteriza, levou-nos a seguir em frente e o desafio foi cumprido. Chegámos à meta com uma sensação de orgulho imenso”, lembra Ricardo Ginja.

O regresso a Espanha está marcado para 2020 e até lá o grupo vai continuar nas voltas domingueiras, a acolher novos elementos e a rir. “Porque no dia em que pensarmos em pódios, isto acaba”, reforça Valter Barreirinhas.

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

(Artigo publicado na edição de 21 de junho de 2018)

Rodrigo Vale, Ricardo Ginja, Valter Barreirinhas, Luís Passadouro, Hugo Pascoal, Eduardo Mota, Aristides Silva, André Silva, Hélder Fragoso, João Vitorino, Fernando Gaspar e Ricardo Pereira mantêm viva a volta domingueira, com início às 8h30, no largo do Rossio, em Moita da Roda, Leiria, desde 2011

Equipa da MDR BTT demorou 14h30 a completar os 163 km da ultramaratona em Espanha, mesmo depois de terem ponderado desistir. Foi a terceira vez que elementos da equipa participaram na prova

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