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Abandonados em Portugal encontram aconchego de uma casa à distância de uma viagem de avião

Francisco, um sénior com 14 anos, vai em breve para a Bélgica. Isna, Luna, Annie, Layla e Cora chegaram no domingo às novas casas, também na Bélgica.

Estes são apenas seis dos 700 cães que a Pegadas e Bigodes conseguiu encaminhar para adoção nos últimos sete anos. Com uma particularidade: é no estrangeiro que a maioria encontra uma família feliz.

A Pegadas e Bigodes – Associação Amiga dos Animais foi criada em 2008. A par com o trabalho que desenvolve em Figueiró dos Vinhos, há sete anos que encontra solução em mais de dez países, de três continentes, para os animais que acolhe.

“Todos os nossos animais estão disponíveis para adoção em Portugal ou no estrangeiro, mas temos alguns requisitos: têm que viver dentro de casa; têm que ter cuidados veterinários; e têm de poder viver ali o resto da vida e ser tratados como seres e não como coisas. Todas as despesas são pagas pelo adotante. E infelizmente é mais fácil arranjar donos que concordam e subscrevem estes requisitos no estrangeiro do que em Portugal”, defende Ana Morgado, porta-voz da associação.

A realidade (e a legislação) belga e holandesa, sobretudo, são diferentes da portuguesa. “Não há cães abandonados na rua, os animais estão esterilizados e quem quiser ter um cão, tem que ter a sorte de encontrar um sociável no canil ou num criador, o que custa 800 a 2.000 euros”, explica.

Na parceria que a Pegadas e Bigodes tem com a associação belga Doggie House, por exemplo, o envio de um cão custa 200 euros (inclui a esterilização, microship, vacinas, passaporte e viagem de avião) mas o processo começa muitos meses antes.

A Pegadas e Bigodes acolhe cães encontrados na rua, do canil municipal ou cujos donos por velhice já não possam cuidar deles. São levados ao veterinário e inicia-se o processo para conhecer o animal (comportamentos, personalidade,…).

Nova oportunidade
Se algum, como aconteceu com Luna ou Layla, for o desejado, a associação belga avalia as condições da nova morada do animal. Se forem validadas, o futuro dono paga uma taxa e assina um acordo de adoção, onde se compromete a tratar bem o animal.

O encontro entre o patudo e o adotante acontece cerca de um mês depois, no aeroporto.

Ayla Heijm, de 21 anos, adotou o Tejo e a Djuana (Diana), ambos com 12 anos, no ano passado. Com outros dois cães em casa, mais dois gatos, dois coelhos e dois cavalos, esta tratadora de cavalos procurou dar uma nova oportunidade a cães com alguma idade. “Existem tantos cães para adoptar e os mais velhos são sempre deixados para trás. Eles também merecem alguns bons anos fora dos abrigos”, diz a belga ao nosso jornal.

A experiência, conta, tem sido fantástica. “O Tejo é um cão muito especial. Quando o fui buscar ao aeroporto, houve uma ligação imediata e a primeira coisa que fez foi sentar-se entre as minhas pernas. Apesar de ter 12 anos, parece um cachorrinho e tem uma obsessão por comida, Não come, devora. Já a Djuna estava super excitada quando a fui buscar”.

O passado dos dois cães não é importante para Ayla Heijm, “eles são muito sociáveis”, e se, no início, ficaram abalados com a mudança, agora assumem o controlo do sofá sem problemas.

Duarte e Cleo viviam juntos no abrigo da Pegadas e Bigodes e assim continuam em Mespelare, uma pequena cidade belga.

“Queria dar uma casa a cães que tivessem uma história de vida infeliz ou já velhotes”, justifica Elsie Claes, de 48 anos. Escolheu os dois e diz já não conseguir viver sem eles.

Duarte tem 11 anos e adora estar à lareira ou sair nas caminhadas diárias. Cleo foi vítima de maus tratos e ainda é um pouco desconfiada mas adora estar enrolada num cobertor ao colo da dona ou dormir com sapatos como se fosse um urso de peluche. “Sem os destruir”, realça.

Com 50 cães para adotar, a Pegadas e Bigodes continua o trabalho diário de dar qualidade de vida aos animais e encontrar um dono. E as histórias felizes não acontecem só no estrangeiro. Sally (agora Kalli), Christian (agora Bobby), e Anastasia (agora Lexi) são felizes na sua nova casa em Portugal desde o início do mês.

“Para que um cão chegue à sua nova família é preciso muito trabalho, empenho e dedicação por parte dos voluntários. Depois vemos que são felizes e essa é a nossa maior recompensa”, remata Ana Morgado.

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

O primeiro contacto entre cães e adotantes é feito no aeroporto. Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Reino Unido, rança, Espanha, Suécia, Canadá e Austrália são os países que recebem os animais Foto: Pegadas e Bigodes

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