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É dos valores que se aprendem no tapete que nascem os resultados

Carlos Matos criou a equipa em 2001. Os primeiros resultados começam a surgir mas treinador destaca os valores pessoais, desportivos e profissionais que os atletas adquirem Fotos: Joaquim Dâmaso

Há um espaço por preencher na parede, entre as bandeiras de Portugal e França. Está reservado para o símbolo nacional da Tailândia, o país originário da arte marcial muay thai.

Nas paredes do ginásio do Thai Gym Team já existem representações do Brasil, Ucrânia, Sérvia, Espanha, Equador e Rússia, referentes às nacionalidades do atletas que frequentam o espaço, bem no centro de Leiria, na avenida Nossa Senhora de Fátima.

O clube existe desde 2001 mas só há cerca de um ano ganhou um espaço próprio. A inscrição na Federação Portuguesa de Kickboxing e Muay Thai também trouxe outra dinâmica à equipa, novos objetivos e resultados.

O clube participou, pela primeira vez, no campeonato nacional de muay thai em outubro passado, com apenas um atleta. Artur Peresunko, de 14 anos, nunca tinha competido a um nível tão elevado e não se sentiu intimidado. Após um primeiro combate que venceu, encontrou um adversário mais velho, com experiência internacional – tinha chegado recentemente da Tailândia – e seis combates. Perdeu por pontos e tornou-se vice campeão nacional -67 kg mas a atuação de Artur Peresunko chamou a atenção de quem assistiu.

“Os árbitros ficaram admirados com o desempenho dele, na primeira vez que subia ao ringue. Fiquei muito contente e com este resultado, pode ser chamado para o Europeu”, explica Carlos Matos, treinador e fundador do Thai Gym Team.

Para todos
Carlos Matos começou a praticar muay thai em França, onde vivia, aos 15 anos. Mudou-se para Portugal em 1994 e sete anos depois formou o clube. A modalidade era, diz, pouco conhecida em Portugal, “tinha pouca expressão”. Hoje, aos 44 anos, reconhece que existiu uma grande explosão do muay thai e orgulha-se do trabalho desenvolvido pela Thai Gym Team.

“O muay thai não implica violência, pancada. Essa é uma ideia errada mas que também já está desmistificada. Hoje em dia está comprovado que o muay thai é para todos. Pode ser feito por quem quer competir, para manutenção ou prática de exercício físico, permite a perda de peso e é um escape para as preocupações do dia a dia”, defende.

Quem quer praticar mas não procura o contacto físico com o adversário também encontra resposta numa versão light de muay thai: o fit punch,modalidade que recorre aos movimentos aeróbicos do fitness e dos desportos de combate, ou seja, sem contacto com o adversário.

A falta de experiência não é motivo para ficar de fora. No dia em que o REGIÃO DE LEIRIA subiu ao tapete do Thai Gym Team, dois novos atletas testaram a joelhada, o gancho, o punho rotativo ou o low-kick.

A idade e o género também não são impedimento para fazer muay thai. A maior parte dos atletas da Thai Gym Team tem entre 9 e 44 anos, mas há quem pratique a modalidade aos 72 anos. “Com o mesmo espírito dos restantes, em busca de uma descontração”, explica o treinador.

Por se tratar de um desporto de combate de pé onde praticamente tudo é permitido, o muay thai também é conhecido como “desporto de combate das oito armas”, porque permite o uso das pernas, joelhos, punhos e cotovelos, ao contrário do que acontece com outros desportos de combate.

Contacto à parte, são os princípios resultantes da prática do muay thai que, na opinião de Carlos Matos, valorizam a modalidade. “Quem aqui está, não é porque paga apenas a mensalidade. Aqui incutimos valores, responsabilidade, respeito pelos outros, educação, autoestima, que se refletem na vida pessoal, académica e profissional. Quando os atletas trabalham e ganham confiança, os treinos e combates acontecem de forma mais fluída, alegre, com entrega física e relaxamento mental”, entende.

O título de Artur Peresunko trouxe mais alunos à escola e Carlos Matos pretende que o grupo continue a crescer. “Vamos voltar ao nacional e com mais atletas. Não levamos um atleta à competição só porque sim. Primeiro, preparamos o atleta e quando entendemos que está preparado, avançamos. Estamos a contar levar quatro ou cinco, no próximo ano, e quem sabe trazer um título”, afirma. Fica o desejo para 2019.

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt

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