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Editorial: SOS Hospital

Francisco Rebelo dos Santos
Diretor

Será capaz de entrar num restaurante onde a equipa da cozinha não se responsabiliza pela qualidade dos produtos? Terá coragem para atravessar uma ponte onde os engenheiros responsáveis pela sua manutenção declinam a responsabilidade pela estabilidade da estrutura? Agora imagine-se doente, até mesmo em risco de vida, num hospital onde os seus médicos não se responsabilizam pela qualidade dos cuidados prestados. Não precisa imaginar este cenário próprio de um filme de guerra, este hospital existe, mora em Leiria. Um hospital assim é uma ameaça à saúde pública e não devia ter autorização para funcionar.

O que está a acontecer no hospital de Santo André, em Leiria, é grave, muito grave. Não foi uma, nem duas, nem meia dúzia, foram já dezenas as comunicações em que os médicos disseram que não tinham condições para se responsabilizarem pelos cuidados prestados. Contas feitas, no final da semana passada, 159 declarações já tinham denunciado a situação insustentável que se vive no hospital de Leiria.

Como foi possível chegar até aqui? Há muito que eram conhecidos os sintomas, ainda há poucas semanas os bombeiros tinham exigido a devolução de macas retidas. Na semana passada foram os serviços do próprio INEM que deixaram de encaminhar os doentes para o Hospital de Santo André, decisão drástica que segunda-feira ao princípio da manhã ainda estava em vigor, e que obrigou ao desvio de doentes para outras urgências hospitalares. Doentes da cidade de Leiria foram para Tomar, Coimbra e Torres Novas.

A situação que se vive nas urgências e um pouco por todo o Centro Hospitalar de Leiria é o reflexo da ambição de crescer, mesmo sem as condições para tal.

O Hospital de Santo André começou por absorver Pombal, passando a centro hospitalar, mais tarde integrou o hospital de Alcobaça e mais recentemente estendeu a sua área de influência ao concelho de Ourém. O crescimento verificado nunca foi devidamente acompanhado por equivalente aumento de recursos humanos e meios financeiros. Além da escassez de respostas ao aumento da área de influência, o hospital tem perdido profissionais, que se recusam a trabalhar sem condições e optam por outras saídas profissionais, em Portugal ou no estrangeiro.

O Centro Hospitalar de Leiria, com o Hospital de Santo André à cabeça, deixou de ser um problema apenas de Leiria e da sua região. É um problema do país.

A administração do hospital tem de encontrar soluções, deve ser protagonista de alterações profundas que há muito se exigem. Deve fazer parte das soluções e não dos problemas. Por isso, importa saber se foi assumida a responsabilidade de receber mais doentes sem a equivalente garantia do reforço de verbas e meios humanos. A administração foi imprudente? O Governo fez promessas que não cumpriu? Quem enganou quem?

O marketing e a comunicação podem ajudar a criar um clima de confiança mas não fazem o trabalho dos médicos, enfermeiros, dos técnicos ou do pessoal auxiliar.

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