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Se as urgências do Hospital de Leiria fossem à triagem que pulseira recebiam? “Vermelha”

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, diagnostica uma situação “grave” no Hospital de Leiria Foto: Sérgio Claro

Se o serviço de Urgência do Hospital de Leiria fosse sujeito à triagem de Manchester, qual seria a sua sorte? “Recebia a pulseira vermelha”. Esse é a avaliação que Luísa Isabel Silva, do Sindicato dos Médicos da Zona Centro/Fnam, faz da situação daquele serviço do hospital que tem estado debaixo da atenção pública, depois dos alertas da Ordem dos Médicos e dos Sindicatos sobre a situação vivida no Hospital, sobretudo nas urgências.

A triagem de Manchester é o método utilizado para avaliar o grau de urgência de um paciente. E a pulseira vermelha indica uma situação de emergência. Na noite desta quarta-feira, em Leiria, os médicos reuniram em plenário para analisar a gravidade da situação. À entrada, os representantes da classe fizeram diagnósticos semelhantes e pouco abonatórios para o estado de saúde do Hospital de Leiria.

“O hospital de Leiria está numa situação muito difícil”, considera o bastonário da Ordem dos Médicos (OM),Miguel Guimarães. À entrada para o plenário de médicos desta noite, Miguel Guimarães, referiu que “alguns hospitais em Portugal estão particularmente numa situação muito difícil e esse é o caso de Leiria”.

Para o bastonário, perante esta situação, “é muito importante que haja uma intervenção do Ministério da Saúde que tente para já minimizar os problemas que existem, porque no imediato é sempre possível fazer alguma coisa”.

Miguel Guimarães explicou que a sua presença na reunião em Leiria visa “defender os doentes, em primeiro lugar, mas também defender os médicos do sofrimento ético em que estão”. O bastonário frisou que Marta Temido, ministra da Saúde, deverá “preocupar-se com as pessoas”.

“Só dando condições às pessoas, respeitando o seu trabalho e corrigindo as várias deficiências que existem neste momento ao nível do SNS e, em particular, ao nível do Hospital de Leiria que está num sacrifício muito grande, é que nós conseguimos valorizar o SNS”, acrescentou.

No Hospital de Leiria “há muitos médicos e profissionais de saúde que estão muito para além do limite do que é humanamente aceitável”, referiu ainda Carlos Cortes presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, que lembrou que a OM “alertou há muitos meses para estas situações”.

E qual pode ser o remédio? “O que se impõe é um rumo para o Hospital de Leiria e, sobretudo, que a ministra da Saúde se comece a preocupar com este hospital, porque o desprezo que tem havido e o esquecimento a que este hospital tem sido colocado é que está a causar todo este mal”, analisa Carlos Cortes.  

A reunião desta noite, em que participaram cerca de oito dezenas de clínicos, visava “dialogar com os médicos para fazer levantamento do que são os problemas do Hospital de Leiria”.  A OM “está empenhada em encontrar soluções para este Hospital”, referiu ainda Carlos Cortes.

José Carlos Almeida, do Sindicato Independente dos Médicos, específica não só uma forma para minorar o problema – “são necessários mais médicos”, diz – como deixa claros alguns dos sintomas: “não pode voltar a acontecer o que aconteceu há poucas noites em que, quem estava de noite na urgência de Medicina, era um especialista e um interno, não havia mais ninguém”. E acrescentou: “não pode voltar a acontecer estar um interno de primeiro ano responsável pela área amarela da urgência médica”. Estas são “situações graves que colocam em risco a vida dos doentes”, reforçou.

“Os nossos associados estão em exaustão e estão a rescindir contratos, uns atrás dos outros e isso não pode ser”, salientou Luisa Isabel Silva. A sindicalista enfatizou que o Hospital de Leiria é “estratégico”, lembrando que está situado junto à autoestrada A1 e que são necessárias soluções: “estamos aqui para dar um contributo positivo, é um hospital importante e por isso estamos aqui em diálogo para encontrar uma solução”.

Carlos S. Almeida
Jornalista
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt

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