Os resultados do rastreio nutricional foram apresentados na sexta-feira passada Foto: CMLA nutricionista ensinou aos mais novos receitas para lanches saudáveis Foto: PIICIE

Um rastreio nutricional em jardins-de-infância e escolas do 1º ciclo do concelho de Leiria sinalizou, no último ano letivo, 18 alunos em risco de insucesso escolar e que têm excesso de peso, obesidade ou baixo peso.

Do estudo fizeram parte 1.980 crianças de jardins-de-infância e escolas do 1º e 2º anos do ensino básico de sete agrupamentos do concelho de Leiria, com idades entre os 5 e os 8 anos. Ficou apenas excluído o Agrupamento de Escolas de Marrazes, que não é abrangido pelo Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar (PIICIE), responsável pelo rastreio.

Do total de crianças avaliadas, 25% têm problemas relacionados com o peso. Ou seja, 236 meninas e 255 meninos têm excesso de peso, obesidade ou baixo peso. “Embora estejamos abaixo da média nacional, estamos com um grande problema na mesma e é preciso atuar”, alerta Inês Oliveira, nutricionista do PIICIE, na apresentação dos resultados, que decorreu no auditório do Mercado de Santana, em Leiria, na sexta-feira passada, no âmbito da Aldeia da Alimentação Saudável.

Durante seis meses, Inês Oliveira analisou a situação nutricional das crianças. Através de um questionário enviado aos encarregados de educação e da medição do Índice de Massa Corporal (IMC), foi possível perceber quais os hábitos alimentares dos alunos e se estão, ou não, com peso normal.

A nutricionista verificou que 18 alunos não tomam o pequeno-almoço em casa e que existe um baixo consumo de frutos oleaginosos (frutos secos).

Apesar dos resultados preocupantes, a nutricionista observou nas crianças vontade em adotar uma alimentação saudável. E “a maioria dos pais está muito atenta à problemática da obesidade infantil. Existe uma abertura de 300%”.

O próximo passo? Atuar junto dos encarregados de educação dos 18 alunos que têm peso fora dos parâmetros normais e que estão em risco de chumbar de ano.

No entanto, os restantes alunos não ficarão esquecidos e o PIICIE tem agendadas diversas atividades nas escolas, algumas delas estão já em ação.

Exemplo disso é a iniciativa “O açúcar escondido nos alimentos” em que, de volta às escolas, Inês Oliveira usou alguns alimentos, como refrigerantes e bolachas, para explicar às crianças a quantidade de açúcar que poderão estar a consumir diariamente. A leitura de rótulos fez parte da lição.

Também a importância da toma do pequeno-almoço e a preparação de lanches saudáveis foram reforçadas junto dos alunos.

A nutricionista já é conhecida das crianças e até foi apelidada de “Doutora fruta” e “Senhora da nutrição”. “Adoro chegar à escola e receber abraços dos miúdos”, conta ao REGIÃO DE LEIRIA.

Para Anabela Graça, vereadora da Câmara de Leiria, que esteve na apresentação de resultados, a solução do insucesso escolar poderá estar na mudança do ambiente em sala de aula. “Aquela sala rígida, com todos uns atrás dos outros, cronometrados pelo relógio, se calhar não é a escola que resolve o problema dos alunos”.

O estudo foi realizado no âmbito do projeto “A nutricionista vai à escola” do PIICIE, desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), que pretende sensibilizar a comunidade escolar para a problemática da obesidade infantil e diminuir as barreiras à aprendizagem relacionadas com o risco nutricional.

Em Portugal, 43,3% das crianças do primeiro ciclo têm o peso fora dos parâmetros normais. A percentagem maior encontra-se no excesso de peso (30,7%).

 

Números

25% da amostra – 1.980 alunos – apresentam excesso de peso, obesidade ou baixo peso. O valor está abaixo da média nacional (43,3%).

18 alunos foram sinalizados pelo PIICIE por estarem em risco de chumbar e terem peso fora dos parâmetros normais.

47 de um total de 48 jardins-de-infância foram visitados pela nutricionista. Foram analisados os casos de 271 crianças de 5 anos.

52 escolas de ensino básico receberam a nutricionista, ficando a faltar apenas uma escola. 1.709 alunos do 1º ao 2º ano estiveram em cima da balança.

 

Joana Magalhães
Jornalista
joana.i.magalhaes@regiaodeleiria.pt