Esporões da foz do Lis têm sofrido danos com as tempestades dos últimos anos Foto de arquivo: Joaquim Dâmaso

A foz do rio Lis vai ser alvo de um investimento de 1,75 milhões de euros para aumentar a segurança daquela zona e minimizar o efeito das cheias, anunciou hoje a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A informação foi dada na cerimónia de assinatura de protocolos que vão permitir a requalificação do troço entre as pontes de Monte Real e das Tercenas, numa intervenção de 120 mil euros, e também uma obra de 190 mil euros na Ribeira dos Milagres, para procurar “pontos negros” de poluição.

Na Marinha Grande, o vice-presidente da entidade, José Pimenta Machado, revelou o que disse ser “uma prenda que a APA traz para a Marinha Grande e também para Leiria: a aprovação da candidatura para a foz do rio Lis”.

A intervenção vai recuperar o enrocamento dos dois esporões da foz, “que têm um papel importante do ponto de vista hidráulico e hidrodinâmico para minimizar cheias e dar maior segurança àquelas zonas adjacentes do rio Lis”.

Segundo o vice-presidente da APA, o concurso será lançado no primeiro trimestre de 2020, de modo a garantir “trabalhos fundamentais para dar maior resiliência à gestão do rio Lis”.

“O enrocamento está bastante destruído. Vamos recuperar o que foi danificado por várias tempestades, num processo cumulativo. Se não atacássemos agora [o problema], havia risco para os terrenos adjacentes”, sublinhou.

Para a presidente da Câmara da Marinha Grande, a intervenção anunciada era há muito esperada, porque “temos de cuidar do rio da nascente à foz”.

Cidália Ferreira prometeu um futuro mais harmonioso para a foz do Lis:

“Queremos darmos vida àquela foz. Naquela foz vamos ter os barquinhos da arte xávega, dos pescadores da Vieira, o que turisticamente vai ter interesse”.

No Edifício da Resinagem, José Pimenta Machado assinou com os municípios de Leiria e Marinha Grande um protocolo para manutenção de um troço de 11 quilómetros do rio Lis, entre as pontes de Monte Real e das Tercenas, para dar melhores condições de drenagem.

“Temos informações de que, historicamente, o Lis é um rio que se porta mal. Há que melhorar as margens e cuidar dele para evitar o efeito das cheias”, afirmou.

Um dos problemas, acrescenta o vice-presidente da APA, é a impermeabilização da bacia: “Quando chove muito, a água flui”.

A intervenção está orçada em 120 mil euros, metade suportada pela APA e o restante financiado pelos dois municípios, e está integrada na prevenção dos efeitos extremos provocados pelas alterações climáticas.

“Temos de preparar a nossa rede hidrográfica para esses efeitos extremos, para provocar o menos danos possível, em particular nas zonas urbanas e também nas zonas marginais”, justificou.

Outro protocolo assinado entre a APA e a Câmara de Leiria prevê a intervenção na ribeira dos Milagres, “uma das mais poluídas do país”, assumiu o presidente da autarquia, Gonçalo Lopes.

Os trabalhos vão custar cerca de 190 mil euros, suportados pela autarquia de Leiria, e vão despoluir as margens da ribeira, “a face mais visível da poluição desta atividade económica”.