“Galinheiro com chapa de zinco por cima”. É assim que é descrito o Centro de Recolha Oficial (CRO) de Ourém, que tem sido alvo de críticas, nos últimos dias e que gerou uma onda de reações através das plataformas sociais. O tema já motivou esclarecimentos por parte da autarquia.

A descrição é feita por Ricardo Rodrigues, membro da Associação Protectora dos Animais de Torres Novas (APATN) e responsável pela denúncia, que recorreu ao Facebook, com partilha de fotografias do local, para expor as condições em que vivem os animais recolhidos no concelho de Ourém.

“Os animais estão ali, presos, a maioria sem nada para se deitar a não ser o chão molhado. Sem nada nas ‘paredes’ laterais para os proteger do frio e do vento”, refere, na publicação do passado dia 9 de janeiro. “Tremem com o frio e o corpo molhado, sofrem embrulhados a um canto. (…) Com tanto milhão investido em tanta coisa supérflua, em festas e festinhas e cantores pimba, não acredito que a autarquia não tenha pelo menos um barracão protegido do vento e do frio e não consiga disponibilizar mantimentos, nomeadamente cobertores, para estes animais. Honestamente, se é para os aprisionarem nesta espécie de antecâmara mórbida da morte, era preferível apenas esterilizá-los e soltá-los que viviam mais felizes”, acrescenta o cidadão da descrição.

Com centenas de comentários, a publicação do voluntário da APATN gerou várias reações. Uma das primeiras foi da própria associação de Torres Novas que se “limitou a divulgar o que considera ser uma situação vergonhosa que não dignifica a bonita cidade de Ourém”. A associação apela aos responsáveis autárquicos que tenham o “mínimo de brio na execução das funções para que foram eleitos” e que “transformem de vez esta situação vergonhosa”.

Em declarações ao REGIÃO DE LEIRIA, Luís Albuquerque, presidente da Câmara de Ourém, afirma que as condições do canil “são as mesmas há 20 anos”, embora reconheça que “não são as melhores condições, além de não estar bem localizado”. Atualmente, segundo o município, estão no canil de Ourém 12 cães num espaço que conta com 17,68 metros quadrados de área útil, distribuído por oito boxes, com 2,21 metros quadrados cada.

Luís Albuquerque adianta ainda que há um projeto de construção de um novo CRO em Ourém com capacidade para receber 14 a 21 cães e 15 a 48 gatos. O novo espaço será junto ao estaleiro municipal, no Pinheiro, e representará um investimento de 455 mil euros (acrescidos de IVA).

O projeto, aprovado em janeiro do ano passado, aguarda o lançamento do concurso, o que só poderá acontecer depois da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e a sua entrada em vigor, ou seja, até ao final do primeiro trimestre do ano. “No final do ano, o canil já estará a funcionar”, garante o autarca.

Num comunicado enviado às redações, o município esclarece ainda que os animais recolhidos no canil de Ourém têm “acompanhamento em permanência por parte de dois funcionários”, com a supervisão do veterinário municipal. O limite de estadia está relacionado com a possibilidade de identificação dos animais através do microchip, eventuais adoções e despiste de doenças e a autarquia clarifica também que o transporte para o CRO Intermunicipal de Proença-a-Nova é efetuado entre duas a três vezes por mês, “assegurando que nenhum animal permaneça no canil de Ourém mais do que quatro semanas”.

O PAN Leiria também reagiu à denúncia, através de uma publicação na página de Facebook. “As imagens confirmam o que todos sabem: não existem as mínimas condições de bem-estar animal no canil de Ourém”, salientou, adiantando que vai questionar a autarquia sobre a data prevista para início das obras do novo canil.

JM/LO