A seleção portuguesa de andebol ficou hoje mais perto do objetivo de conquistar a melhor classificação de sempre no Europeu, ao vencer com um resultado no mínimo sensacional, 35-25, a Suécia, vice-campeã e anfitriã do Grupo II da fase principal do Euro2020.

Em Malmö, o ruído de 10.000 adeptos suecos deu, progressivamente, lugar à incredulidade, à medida que os remates dos nórdicos encontravam no guarda-redes Alfredo Quintana um obstáculo intransponível e viam a sua seleção incapaz de encontrar antídoto para o sistema atacante ‘sete contra seis’. O leiriense Pedro Portela, com o nº 4, fez parte das contas da seleção nacional e ajudou a equipa a conseguir um resultado tão dilatado no marcador (como se pode ver na jogada do vídeo).

Depois de ter brilhado no jogo da primeira fase da competição, frente à Bósnia-Herzgovina, no dia de hoje, o leiriense formado no Académico de Leiria apenas conseguiu marcar um golo.

Quando o resultado atingiu 31-21, a cinco minutos do fim do jogo, as bancadas da Malmö Arena começaram a esvaziar-se, perante um dos resultados mais extraordinários do torneio, e foi já sob o aplauso dos suecos que permaneceram que foram marcados os últimos golos lusos.

A equipa nacional conquistou os primeiros dois pontos na estreia na segunda fase, para a qual tinha avançado com ‘saldo negativo’, devido à derrota (34-28) com a Noruega, uma vez que as seleções qualificadas na fase preliminar transportam para o ‘main round’ o resultado entre si.

Portugal tem como ponto alto no Europeu o sétimo lugar alcançado em 2000, na Croácia, e, para o melhorar, precisa de terminar, pelo menos, no terceiro lugar do Grupo II, liderado por Noruega e Eslovénia, ambas com quatro pontos.

Hoje a vice-campeã europeia foi manietada pela formação treinada por Paulo Pereira e nunca se mostrou à altura do seu rico historial: quatro títulos mundiais, olímpicos e europeus.

O guarda-redes português Quintana e o homólogo Mikael Appelgren estiveram em destaque numa fase inicial que foi equilibrada até ao momento em que a exclusão por dois minutos de Jesper Nielsen lançou Portugal para a vantagem de três golos (10-7), dois dos quais quando os nórdicos jogavam sem guarda-redes.

A Suécia ainda reduziu a diferença para 11-10, mas a equipa lusa ‘disparou’ para 14-10 e nem as exclusões quase sucessivas de Alexandre Cavalcanti e Luís Frade impediram Portugal de chegar ao intervalo a vencer por 15-12.

A seleção nacional ‘abusou’ do sistema ‘sete contra seis’ na segunda parte e foi perante a total incapacidade da Suécia para o contrariar que construiu um dos resultados mais sensacionais da sua história, que deixa a vice-campeã europeia praticamente afastada das meias-finais do torneio que coorganiza.

Portugal terminou não com um, mas com três melhores marcadores do jogo – João Ferraz, Rui Silva e Fábio Magalhães, cada um com seis golos -, os principais beneficiários do facto de a equipa ter jogado durante toda a segunda parte em superioridade numérica no ataque, e até Tiago Rocha se pôde estrear na prova com dois golos.

“Foi uma alegria para nós. Sabíamos que se fizéssemos as coisas programadas, se trabalhássemos bem, tivéssemos paciência no ataque e uma defesa forte sairíamos vitoriosos. Mostrámos que somos uma excelente seleção e que estamos ao nível dos melhores e agora é continuar até ao fim do Europeu. Foi um excelente jogo, em casa da Suécia, com 12.000 espetadores, e saímos aplaudidos”, disse Pedro Portela em declarações à Lusa, no final do jogo.

Lusa