Quem nunca consultou o “Dr. Google” para perceber sintomas, adivinhar diagnósticos, confirmar suspeitas ou procurar mezinhas para aliviar uma dor de garganta ou uma dor de cabeça, que levante o braço. A tentação foi crescendo ao ritmo da facilidade com que se passou a aceder à internet e desde que esta começou a andar “no bolso”.
A necessidade de respostas parece cada vez mais urgente e, nesta época, favorável a resfriados, constipações e proliferação do vírus da gripe, as buscas sobre o tema sobem em flecha.

Que o diga o Google Trends (que significa tendências em Português), uma ferramenta, de acesso gratuito, que atesta a evolução do número de pesquisas por palavras-chave ao longo do tempo.

Uma simples consulta permite saber que temas são mais pesquisados, num determinado ponto do globo (por país ou por distrito, no caso de Portugal), na última hora, no último dia, nos últimos 7, 30, 90 ou 365 dias, nos últimos cinco anos ou desde 2004.

E o que nos diz o Google Trends sobre a gripe? Que a preocupação das pessoas relativamente à doença acompanha o aumento da incidência (novos casos).

Uma pesquisa por Portugal (ou mesmo Leiria) nos últimos 16 anos (desde 2004) situa, com incontestável destaque, o pico de “popularidade” (isto é de pesquisas) do termo “gripe” em agosto de 2009, precisamente no período em que a atividade epidémica da gripe A foi mais elevada.

Já numa análise às buscas efetuadas pelos internautas nos últimos cinco anos (desde 2015) em Portugal, e considerando “100” o índice mais alto de “popularidade”, constata-se que o tema suscitou maiores dúvidas na semana de 20 a 26 de janeiro de 2019, que coincidiu com o período epidémico da gripe.

Em Leiria, registaram-se dois picos de pesquisas na internet no início do ano: o primeiro (nível 99) na semana de 6 a 12 de janeiro e o segundo (96) de 3 a 9 de fevereiro.
Quanto aos últimos cinco anos, o maior número de pesquisas a partir de Leiria ocorreu entre 8 e 14 de janeiro de 2017, ano em que a agressividade da gripe teve impacto significativo no aumento da mortalidade em Portugal.

Entretanto, na última semana, o interesse pelo tema voltou a subir exponencialmente, refletindo mais uma vez o aumento do número de casos de gripe e uma maior afluência aos serviços de saúde.

Urgências só para casos “urgentes”
Face às previsões do aumento da atividade epidémica para o final de 2019 e o início de 2020, o Centro Hospitalar de Leiria (CHL) lançou na passada sexta-feira um apelo à população para que recorra às urgências hospitalares apenas em casos urgentes, por forma a evitar o excesso de utentes.

Segundo o CHL, a Administração Regional de Saúde do Centro “implementou, no final de outubro, um plano de reforço para dar resposta à epidemia da gripe, que preconiza a alteração e cancelamento de consultas para prestar cuidados imediatos aos utentes em situações de doença aguda, consoante o número pré-definido de casos de gripe, bem como o alargamento dos horários de funcionamento dos cuidados de saúde primários”.

Os utentes não urgentes podem contactar a linha saúde SNS 24 (808 24 24 24), que poderá “esclarecer as dúvidas” e encaminhar os doentes, caso seja necessário, para o serviço mais indicado. Caso haja necessidade de serem encaminhados para o hospital, estes utentes terão prioridade de atendimento, dentro do seu grau de urgência, e estarão isentos de taxas moderadoras, esclarece ainda o CHL em comunicado.