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Sara Júnior: “Falta nas escolas uma disciplina de literacia para o digital”

No início de um novo ano, Sara Júnior, aluna de Comunicação Social e Media, foi desafiada pelo REGIÃO DE LEIRIA a antecipar o que aí vem e o que pode a sociedade esperar dos nativos digitais.

No início de mais um ano, o REGIÃO DE LEIRIA pediu a uma jovem de 20 anos que refletisse sobre 2020 e o mundo digital. Sara Júnior, que é natural de Caldas da Rainha e frequenta a licenciatura de Comunicação Social e Media na Escola Superior de Ciências Sociais do Politécnico de Leiria, aproveitou para “pedir” melhores instalações para a sua escola. 

 

Como vê os 20 anos que passaram?
Eu acho que a nível geral e no mundo, houve coisas boas e más. Entre as coisas más é de salientar as alterações climáticas, com a consequente destruição que tem havido e a quantidade de plástico usada e que se tem falado muito. Nas coisas boas a globalização é algo cada vez maior e, em muito níveis, muito boa. Consegue aproximar-nos de outras partes do planeta, como por exemplo familiares que estão noutros países. Há 20 anos era uma realidade muito difícil e agora com as novas tecnologias e com a internet conseguimos sentir-nos muito mais próximos. Aqui na região, o turismo nos últimos 20 anos tem-se desenvolvido bastante e isso é muito bom. Por exemplo na Nazaré, desde a onda gigante do McNamara que a vila e mesmo a região estão nas bocas do mundo. Trouxe muitos turistas, de dentro e de fora do país. Isso é muito bom a nível cultural e também económico.

Como perspetiva o futuro?
Uma coisa que eu gostava, e é mais a nível pessoal, mas que acaba por ter uma grande influência para a região é que a ESECS tivesse melhores condições. Já sei que vai ter novas instalações e mudar de localização e acho que isso terá um grande impacto na região. Traz pessoas novas, com ideias novas e vontade de fazer coisas diferentes que, se calhar, quem está aqui sempre não tem essa visão. As pessoas de fora veem coisas diferentes de quem passa cá todos os dias e não consegue ter essa perspetiva. Quem chega cá pela primeira vez (à ESECS), e falo pela minha experiência, quando vi como é o sítio onde ia passar três anos a estudar fiquei desiludida. Principalmente quando chega o inverno, ver que chove cá dentro, isso acaba por desmotivar muito os alunos. Vêm cá turmas de alunos do secundário e veem que a escola é assim, provavelmente não vão querer vir para cá. Eu acho que as novas instalações vão trazer novos alunos, o que pode originar desenvolvimento económico e cultural na cidade de Leiria.

O que é que a sociedade pode esperar dos nativos digitais?
Há quem diga que as novas tecnologias fizeram com que o mundo se transformasse no que é e que trouxeram muitas coisas más, mas eu acho que não. A internet e o digital trouxeram coisas muito boas, como a questão de se ter um maior acesso à informação. Os nativos digitais podem trazer novas ideias, porque temos acesso a tanta coisa que nos alimenta a criatividade e que nos inspira para fazermos coisas novas. Mas, na minha opinião, falta nas escolas uma disciplina de literacia para o digital. Muitas vezes, mesmo a nível da informação, as fake news são uma coisa de que muitas vezes não nos apercebemos, mas estão tão presentes no nosso dia-a-dia que acaba por ser algo que nós achamos que estamos a aprender, mas na realidade estamos a desaprender. Essa disciplina ou formação devia existir logo desde pequeninos para nos dar bases para sabermos navegar na internet e conseguirmos obter dela o melhor que nos tem para dar. A internet é uma coisa tão vaga, tem muitas coisas boas, mas tem também muitas coisas más. No caso dos jornais e do seu papel no digital acho, em primeiro lugar, que as notícias deviam ser pagas. Isso já está a começar a mudar, mas mesmo assim ainda não está totalmente alterado. As pessoas habituaram-se muito a ‘eu não vou comprar jornais porque na internet tenho a informação toda disponível’. E não digo de repente, mas aos poucos e poucos tem de se fechar as notícias e se as pessoas querem ler e ter conhecimento efetivo sobre um tema, têm de pagar. Eu acho que isso era uma das boas medidas. E também colocar nem que fossem pequenos vídeos porque eu vejo que a minha geração é da imagem e do vídeo e com muitos dos meus colegas se não for uma coisa desse género, eles simplesmente não veem.

Sara Júnior tem 20 anos, é natural de Caldas da Rainha e frequenta a licenciatura de Comunicação e Media na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria