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Covid-19

Covid-19: O coração apertado de uma mãe que acompanha a quarentena do filho a 2.300 km de distância

Decisão de permanecer em Itália partiu do filho com o objetivo de proteger a família, residente na Marinha Grande. Mãe compreende mas vive momento com ansiedade

É de “coração apertado” que Ana Carlin partilha com o REGIÃO DE LEIRIA o momento que está a viver.

Residente no concelho da Marinha Grande, está a viver a pandemia do novo coronavírus com os dois filhos à distância, um em Itália e outro na Suíça. Nenhum vai regressar a Portugal e, com o fecho das fronteiras e o cancelamento dos voos, mais complicado será.

“Nestas alturas, não sei bem porquê, gostamos de estar em família e achamos que se tiverem perto de nós é mais fácil. É difícil aceitar a decisão de ficarem lá, não está fácil, mas sei que estão bem”, diz.

Renato Carlin tem 21 anos e está desde fevereiro, mais a namorada, de 19 anos, a viver em Siena, perto de Florença, Itália. Ambos estão a frequentar o programa Erasmus.

Estudantes do curso de Gestão do Politécnico de Leiria, estão há duas semanas de quarentena e, conta a progenitora, foi o jovem que decidiu permanecer em Itália, mesmo perante a complicada situação de pandemia que o país vive.

“Ao início, achei que ele não me queria assustar e dizia que estava tudo bem. Cheguei a entrar em contacto com a escola, até que percebi que a decisão de ficar era mesmo dele. Sabe que há riscos se ficar mas a viagem para Portugal também implica riscos. Para vir, tem que apanhar comboio de Siena para Florença, avião para Lisboa e depois transporte para casa, na Marinha Grande. Eles não querem contagiar a família e, para evitar isso , precisavam também de ter um local para estarem isolados”.

Ana Carlin, mãe de estudante do IPLeiria a frequentar Erasmus em Siena, Itália

As vídeochamadas acalmam a ansiedade de Ana Carlin e sempre que o filho não responde às mensagens, ela liga no minuto seguinte. O tal “coração apertado” a funcionar e que a distância de 2.300 km entre os dois pontos geográficos não ajuda a tranquilizar.

Até à passada segunda-feira, os jovens mantinham-se em casa, sem qualquer sintoma de Covid-19. Saem apenas para comprar o essencial, ainda que a despensa esteja cheia, fruto do precioso conselho materno nas últimas semanas.

“Prepararam tudo muito bem, fizeram compras de forma preventiva a pensar que pudessem ter que ficar de quarentena e estão com comida até final do mês. Não precisam de sair de casa para nada”, conta, ao mesmo tempo que lembra que o outro filho, mais velho, vive na Suíça, com os netos e “também não está fácil”. O país helvético está com as fronteiras terrestres bloqueadas e com voos suspensos para outros países europeus e decretou Estado de Emergência.

“Não estava à espera disto. Ele [Renato] é maior de idade mas quando lhe dei o aval para ir, sabia que, se acontecesse alguma coisa, em duas horas eu estava lá. Agora não posso. Quem o ajuda se for necessário? A escola tem estado em contacto com eles, por email, para saber como estão. E eles podem solicitar apoio através da universidade de lá, que entretanto vai começar a ter algumas aulas online”, refere.

“Estou preocupada, como é normal, como qualquer mãe fica, mas sei que estão bem. Só preciso de ter a certeza que não lhes vai faltar nada”, conclui.