Todos os músicos do concelho são convidados a participar no “ensaio” desde dia 27 de março Foto: Fernando Rodrigues

Os músicos que integram as filarmónicas do concelho de Leiria estão convidados a tocar hoje, 27 de março, a “Marcha da Cidade do Lis” às janelas e varandas de suas casas, como forma de mostrar a vitalidade das bandas e apelar à população para colaborar na contenção da pandemia de Covid-19.

A iniciativa é da Associação das Filarmónicas do Concelho de Leiria (AFCL) que convida todos os 515 músicos das onze bandas para interpretarem às 21 horas desta sexta-feira a marcha composta por António Cordeiro Gonçalves, considerada o hino das filarmónicas do município.

“As sextas-feira são o dia de ensaio para a maior parte das bandas, que normalmente começam às 21 horas. O objetivo é, hoje, fazermos de conta que é o nosso ensaio e partilharmos com os nossos vizinhos, às janelas e varandas das casas, a marcha que costumamos tocar todos em comum”, explica o presidente da AFCL.

De acordo com Carlos Lopes, a intenção é “animar um bocadinho os vizinhos e dizer que o espírito filarmónico está vivo”.

“Continuamos a tocar a partir de casa, à espera do dia em que possamos voltar aos ensaios”, afirma, lembrando que as filarmónicas de Leiria estão sem se juntar há pelo menos duas semanas e, hoje, incentivam todos a continuar em suas casas:

“Queremos deixar a mensagem: fiquemos em casa porque o dia de regressarmos aos ensaios está perto. Queremos fazer a nossa parte: ficar em casa e ajudar o pessoal da saúde”, alguns dos quais são, inclusive, filarmónicos, porque “há muitos enfermeiros músicos”.

O desafio lançado dirige-se tanto aos músicos que vivem isolados como aos que são vizinhos uns dos outros, “e até vão conseguir ouvir-se uns aos outros a tocar”.

Quanto à situação presente de emergência, o presidente da AFCL lembra que várias filarmónicas de Leiria “já sobreviveram a duas guerras mundiais, à emigração, a outras doenças… As filarmónicas centenárias já passaram por isso tudo e as instituições continuam cá”, recorda Carlos Lopes.