Em domingo de ramos, a Junta de Freguesia da Bajouca decidiu embelezar o portão do cemitério com o tradicional ramo Foto: JFB

São diversos os espaços públicos de portas fechadas de forma a evitar a propagação do novo Coronavírus. A época da Páscoa costuma reunir muitas pessoas em espaços de culto, onde se cumprem as tradições religiosas, mas este ano tudo é diferente.

A par das cerimónias religiosas, também as deslocações das famílias aos cemitérios para visitarem os entes queridos foram adiadas e, no distrito de Leiria, diversas autarquias encerraram os cemitérios e colocaram limitações à realização de funerais.

De acordo com o Decreto-lei que regula a renovação do estado de emergência, em vigor até 17 de abril, “a realização de funerais está condicionada à adoção de medidas organizacionais que garantam a inexistência de aglomerados de pessoas e o controlo das distâncias de segurança”.

Esta medida deve ser assegurada a partir da “fixação de um limite máximo de presenças, a determinar pela autarquia local” que gere o cemitério.

No caso do concelho de Leiria, município anunciou em comunicado, datado de 27 de março, o encerramento ao público do cemitério de Leiria até ao dia 9 de abril, de forma a “minimizar os efeitos da propagação da Covid-19”. Prevê-se que a medida possa ser alargada até ao dia 17, tendo em conta que, entretanto, foi renovado o estado de emergência.

No cemitério de Leiria os serviços administrativos estão disponíveis apenas por telefone ou pelas plataformas digitais. As cerimónias fúnebres têm um limite máximo de 10 pessoas, sendo que apenas os “familiares mais próximos” podem estar presentes, explica a nota da câmara de Leiria.

O município recomenda que as pessoas pertencentes aos grupos de risco não participem nos funerais, como medida de segurança.

No caso de Porto de Mós, as medidas adotadas pela autarquia são semelhantes, mas acrescentam o encerramento da Casa Velório, ficando interditos os velórios, e a suspensão de exumações e transladações.

Num despacho publicado na sua página da internet, com efeito a partir de 1 de abril, a câmara de Porto de Mós avança que “nenhum caixão poderá ser aberto dentro do espaço cemiterial, no âmbito da realização de funerais e cremações” e relembra que devem ser mantidas as distâncias de segurança entre todos os participantes. As medidas estão a ser adotadas, de uma forma geral, em todo o país.

Já na Marinha Grande, os cemitérios municipais abrem apenas para a realização de funerais, limitados ao máximo de 15 pessoas: 10 familiares diretos, “quem preside à cerimónia” e até quatro colaboradores da agência funerária, explica a autarquia em comunicado. As transladações ficam adiadas.

A câmara de Ourém também determinou o encerramento do cemitério municipal, que abre apenas para cerimónias fúnebres, limitadas a 10 pessoas. A medida foi anunciada a 25 de março na página da internet da autarquia e prevê-se que se prolongue devido à renovação do estado de emergência.

Ao nível das freguesias são também vários os cemitérios que se encontram encerrados, adotando o exemplo do que os municípios estão a realizar. No concelho de Leiria, Milagres, Monte Real e Carvide, Bajouca ou Monte Redondo e Carreira são algumas das freguesias onde os espaços estão encerrados, só abrindo para a realização de cerimónias fúnebres.

Céline Gaspar, presidente da junta de freguesia de Monte Redondo e Carreira, explica que por ser um local frequentado, em grande número, pelos considerados grupos de risco, optou por encerrar desde meados de março. Acrescenta ainda que durante o tempo que permanecer encerrado, as flores secas serão retiradas das campas e as mesmas limpas por funcionários da junta. “Evitamos que o lixo se acumule e ao mesmo tempo estamos a cuidar das campas onde estão os nossos entes queridos”, diz a autarca, dando conta que em no domingo de Páscoa, dia 12, será colocada uma coroa de flores nos portões do cemitério, “em homenagem aos entes queridos” dos habitantes da freguesia.

Também as juntas de freguesia de Souto da Carpalhosa e Ortigosa e da Bajouca estão a proceder à limpeza dos espaços.

No início de março, os agentes funerários da zona de Leiria e do país mostraram-se preocupados com o risco de propagação do novo Coronavírus em funerais e pediram às populações que não participassem em velórios e cerimónias fúnebres.

Os profissionais do sector e a Associação de Agentes Funerários do Centro (AAFC), que tem sede em Leiria, recomendam a não colocação de editais de falecimento nos locais habituais de modo a evitar aglomerados de pessoas e as agências aconselham também as famílias enlutadas a limitarem a sua divulgação.

As recomendações passam ainda por manter as urnas fechadas, e que estas saiam diretamente das morgues ou das casas mortuárias (caso haja velório) para o cemitério ou para o crematório, sem realização de cortejos a pé.

Covid-19: Funerárias apelam à não realização de velórios e a restrições nas cerimónias