A equipa de docentes da licenciatura em Terapia da Fala da Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria participou num projeto internacional, que visa facilitar a comunicação de doentes entubados, devido à pandemia da covid-19.

Coordenadora do Departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde da Escola Superior de Saúde (ESSLei) e investigadora do CiTechCare, Elsa Marta Soares, explicou que alguns doentes diagnosticados com a covid-19 necessitam de suporte respiratório e “podem ficar impossibilitados de falar, o que afeta todo o processo comunicativo entre o doente e os profissionais de saúde”.

“Conscientes desta necessidade, a equipa de terapeutas da fala da ESSLei decidiu integrar o projeto da Widgit, uma empresa londrina dedicada à comunicação aumentativa e alternativa, que já tinha iniciado a criação de um produto de apoio à comunicação com vários países de todo o mundo”, esclareceu Elsa Marta Soares.

Este produto assumiu um formato de tabela de comunicação e foi traduzido e adaptado para a realidade cultural portuguesa, encontrando-se disponível para ‘download’ gratuito na página da Widgit.

Esta tabela, “que deve ser impressa num formato frente e verso numa folha A4, é constituída por símbolos icónicos legendados e está organizada segundo necessidades básicas e de conforto (beber água ou ajustar a cama), condições clínicas (dor de garganta ou oxigénio), escala da dor, estados emocionais e informações pessoais que permitem conversar e fazer pedidos específicos (contactar família ou saudades)”, acrescentou a também professora adjunta convidada da ESSLei e investigadora do CIEd – Centro de Investigação e Educação da Universidade do Minho, Andreia Salvador.

Esta tabela tem ainda um sistema alfabético “para o caso de o doente querer comunicar algo específico que não esteja representado” no documento.

As terapeutas da fala aconselham a que este produto esteja sempre ao alcance do doente que, para comunicar a sua necessidade ou interesse, aponta para o símbolo desejado.

“Esta tabela, de fácil utilização e de baixo custo, pode contribuir para o aumento do bem-estar de cada doente, como também facilitar o processo de prestação de cuidados de saúde”, destacam ainda.

Elsa Marta Soares revelou que depois da partilha nas redes sociais e de contactos com terapeutas da fala, estes partilharam a informação com os profissionais de saúde que trabalham nos cuidados intensivos e o sistema já é utilizado em alguns hospitais portugueses.

“Mesmo indo para casa pode ser um facilitador de comunicação, tal como poder-se-á estender a pessoas que tiveram um AVC [acidente vascular cerebral] e não conseguem falar”, exemplificou Elsa Marta Soares.

As duas investigadoras estão já a trabalhar noutros projetos de comunicação não-verbal. Com o envolvimento dos alunos da ESSLei, as docentes desenvolveram uma tabela para o transporte de doentes não urgentes. “Quando os bombeiros vão buscar alguém que não fala, esta pode ser uma forma de comunicação”.

O objetivo é agora levar a tabela às tripulações do INEM. “Quando são chamados para uma emergência de alguém que tem um AVC, por exemplo, pode não ser possível ao doente falar e esta é uma forma facilitadora da comunicação”, rematou.