Fazer chegar a rede de fibra ótica a 93 por cento das residências do concelho de Porto de Mós é a meta anunciada na manhã desta quarta-feira pela Altice Portugal. A medida corresponde a um acelerar dos investimentos da empresa no concelho.

Porto de Mós conta com locais com problemas no acesso à internet, sobretudo na zona serrana. O problema ficou mais evidente com a pandemia, com estudantes impedidos de assistir a aulas via internet e trabalhadores que não puderam recorrer ao teletrabalho.

Isso mesmo sublinhou Jorge Vala, presidente da Câmara de Porto de Mós, na cerimónia desta manhã, no Castelo de Porto de Mós, que formalizou o protocolo de cooperação entre a Altice Portugal e a autarquia.

As falhas na cobertura motivaram mesmo um convite ao presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) para visitar o concelho. No início do mês, depois de visitar Porto de Mós, o presidente da ANACOM, João Cadete de Matos, reconheceu que o concelho “precisa de uma melhoria significativa nas comunicações móveis”.

A disponibilidade para investir e reforçar a rede de comunicações acabou por surgir por parte da Altice que aponta para um reforço da rede de telecomunicações nas dez freguesias, apostada em atingir uma “cobertura de fibra ótica superior a 90% até 2021”. Na cerimónia desta quarta-feira, a meta foi estipulada em 93%.

As telecomunicações, explicou Jorge Vala, são “um bem de primeira necessidade”, factor “fundamental para fixar a população nestes territórios e, com a pandemia, a situação acentuou-se e ficaram a nú as fracas condições da população” nesta área.

Jorge Vala reconheceu que a Altice foi o único operador que respondeu aos apelos do município para encontrar uma solução para o problema de falta de cobertura da rede. “A Altice Portugal foi a entidade que nos respondeu e quero manifestar esse apreço”, frisou.  A empresa “não só acedeu ao nosso apelo como o compreendeu e abraçou este projeto”, reforçou.

André Figueiredo, diretor de coordenação institucional corporativa e de comunicação da Altice Portugal, lembrou “o conjunto de diligências feitas pelo presidente da autarquia” e reportando-se ao caso concreto das crianças com dificuldade de acesso às aulas via internet, adiantou que empresa pretende que “essas crianças possam ter essa rede”.

Pretende igualmente que “as juntas de freguesia e as suas sedes, podendo e tendo espaço, possam albergar algumas das crianças incapazes de assistir às aulas, de forma segura e com o distanciamento necessário, durante algum tempo, utilizando as redes de fibra ótica disponíveis para as sedes das juntas de freguesia, e aí funcionará a sua escola digital”.

O responsável frisou, no entanto, que a responsabilidade em assegurar as condições para o ensino à distância não está na esfera da empresa, que ainda assim decidiu avançar com este investimento.

“Quem decreta ou obriga a população a cumprir um determinado caminho tem de se responsabilizar e verificar se é cumprido ou não”, referiu, exortando os autarcas a pressionarem no sentido de uma maior responsabilização estatal nesta matéria.

Mensagens colocaram em causa investimento

No seu discurso, André Figueiredo fez ainda referência a “algo inusitado e estranho” com o caso de Porto de Mós, que “não foi muito bonito de assistir” e que durante o processo de definição dos investimentos no concelho, terá colocado em causa a sua concretização.

Referia-se a vários emails enviados para a Altice “com pressão, com características pouco simpáticas que não criam bom ambiente para investidores privados”.

O diretor de coordenação institucional corporativa e de comunicação da Altice Portugal sublinhou que a empresa não é obrigada a avançar com investimentos, sujeita a esse tipo de pressão.

“Foi o senhor presidente de Câmara que resolveu [a questão], numa reunião pediu à Altice de Portugal que reconsiderasse. Mas fiquem a saber que essas freguesias iam ficar sem fibra ótica, à custa da atitude dessas pessoas que não foram bem formadas nem bem-educadas na atitude que tiveram”.

Aos jornalistas, André Figueiredo esclareceu que em causa estavam “perto de uma centena de emails em que os textos são exatamente os mesmos”.

“Temos rosto, atendemos as pessoas e respondemos aos emails, não precisamos é de ser mal tratados”, referiu, acrescentando que a Altice “prioriza a sua estratégia e define-a no território de forma temporal”, afirmando: “não tenho dúvidas que esses emails prejudicavam as freguesias”.

Questionado sobre a matéria, André Figueiredo esclareceu que as mensagens não eram provenientes de representantes eleitos e afastou a possibilidade de a empresa avançar judicialmente contra os autores das mesmas.  

“Nunca prejudicaríamos o concelho, mas contámos [ao presidente Jorge Vala] a mágoa que esses emails causam a um investidor que sempre se mostrou completamente disponível para poder ser contactado ou debater a estratégia de investimentos”, esclareceu.

“Havia aqui freguesias que tinham uma cruz na Altice, e é de relevar a compreensão da administração da Altice por perceberem que para nós era importante não haver esta discriminação. E eu, em nome de todos os outros, tive naturalmente que pedir à Altice que compreendesse e desse o passo atrás. Este é um território de pessoas de bem que não podiam ser prejudicadas no seu todo por causa de um conjunto minoritário de pessoas”, acrescentou Jorge Vala.