As obras de conservação e restauro do retábulo de “Pentecostes”, da Capela do Espírito Santo, na Sancheira Grande, em Óbidos, já foram iniciadas e confirmam, à partida, o bom estado da estrutura, anunciou hoje a autarquia.

A remoção da peça e o transporte para o ateliê onde vai ser intervencionada decorreu na passada terça-feira (dia 14) e permitiu, segundo a câmara de Óbidos, “aferir o excelente estado de conservação das madeiras da estrutura retabular, bem como da moldura que sustenta a tela”, do século XVIII.

Numa nota de imprensa, a Câmara explicou que a intervenção vai incidir na “consolidação do suporte, preenchimentos das lacunas e recuperação da tela para o seu estado original”.

As obras de conservação e restauro do retábulo no interior da Igreja do Espírito Santo, na Sancheira Grande, freguesia de A-dos-Negros, são subsidiadas pela autarquia que, em abril do ano passado, aprovou a atribuição de um apoio de 2.700 euros à Paróquia de Santa Maria Madalena.

O apoio foi aprovado depois de efetuadas consultas a especialistas que analisaram o retábulo e “diagnosticaram patologias e apresentaram orçamentos” para a salvaguarda da obra, que retrata uma cena de Pentecostes, disse na altura a autarquia.

De acordo com os registos de inventário da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), na segunda metade do século XVIII verificou-se a reconstrução da Igreja do Espírito Santo, na Sancheira Grande, com a colocação dos azulejos e a execução da tela “Pentecostes”, atribuída a Pedro Alexandrino.

As semelhanças entre a azulejaria presente no Santuário do Senhor da Pedra, em Óbidos, e naquele templo, indiciam a possibilidade de terem sido executadas pelo mesmo autor, lançando também a possibilidade de a tela ter sido feita pelo pintor André Gonçalves, responsável pela execução do retábulo principal do Santuário do Senhor Jesus da Pedra.

Na sua página, a DGPC salienta não só a importância que a capela tem para a comunidade local da Sancheira Grande, mas também a sua relevância histórico-artística, no património do concelho.

Aquando da aprovação da verba para o restauro, a Câmara justificou que os trabalhos iriam avançar no âmbito da” política de salvaguarda do património que Óbidos tem tido ao longo dos últimos anos”, e de que são exemplos “a recuperação do Santuário do Senhor da Pedra, ou do conjunto urbano de Óbidos, onde se incluem as muralhas, a Porta da Vila, o pórtico da Igreja de Santa Maria”, entre outras intervenções efetuadas.