É o próprio IPMA quem explicou, ao final da tarde de hoje, como surgiu uma depressão com características subtropicais no distrito de Leiria.

Acabou por ser batizada de ciclone Alpha, depois do instituto português ter analisado a situação com o National Hurricane Center – Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos da América.

A rapidez da formação, que em poucas horas resultou num ciclone, é evidente em imagens de radar do instituto luso.

Imagem de radar do IPMA que deixa evidente a formação no distrito

“A depressão centrada junto à costa do distrito de Leiria, ganhou características subtropicais durante a tarde, revelando uma estrutura organizada nas imagens de satélite”, explicou cerca das 18 horas, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em comunicado.

E explica que a congénere norte-americana, habituada a lidar com fenómenos extremos no seu território e no oceano Atlântico, teve intervenção no processo.

“O NHC contactou o IPMA no sentido de ser feita uma avaliação conjunta da situação, tendo-se optado por nomear o ciclone. Esse ciclone foi nomeado de Alpha”.

O impacto do Alpha parece condenado a enfranquecer. O instituto de meteorologia luso refere que segundo “as projeções dos diferentes modelos, após a entrada em terra, o Alpha deverá perder rapidamente intensidade”.

Não obstante, este é um fenómeno com impacto invulgar e pode ser conferido nas imagens animadas de radar, disponibilizadas pelo IPMA.

O MeteoLeiria comentou o sucedido, sublinhando o caráter invulgar da tempestade desta tarde.

“Evento extremamente raro. Em apenas 4 horas formou-se uma tempestade tropical na costa de Portugal. Não há memoria de um evento destes”, adiantou na sua página do Facebook, o site dedicado à meteorologia da cidade do Lis.

Já tem nome. Tempestade #alphaEvento extremamente raro. Em apenas 4 horas formou-se uma tempestade tropical na costa de Portugal. Não há memoria de um evento destes.Publicado por MeteoLeiria em Sexta-feira, 18 de setembro de 2020

De facto, com a aproximação da depressão à costa, explica o IPMA, “foi possível monitorizar o ciclone com o auxílio do sistema de radar, sendo possível identificar ventos de intensidade muito elevada em altitude, mas relativamente próximo da superfície”.