A direção da ACILIS – Associação de Comércio, Serviços e Turismo da Região de Leiria lamenta não ter sido ouvida pelo município de Leiria no âmbito da fixação dos horários dos estabelecimentos durante a situação de contingência.

“Não consigo entender, não vejo explicação para isto. Não fomos auscultados e acho que é uma falha grave”, disse à agência Lusa o presidente da associação.

Segundo Lino Ferreira, a relação entre a ACILIS e o município “tem corrido bem nesta fase de confinamento”, mas, “neste que é um momento sensível”, a associação, que “está há anos com o comércio e serviços” da região e que “tem uma implicação direta com isto, merecia ter sido ouvida”.

“Não fomos auscultados e acho que é uma falha grave”
Lino Ferreira

O presidente da ACILIS afirmou não ter “nada a opor” às decisões tomadas, acrescentando: “O senhor presidente [da câmara] não era obrigado a ouvir-nos”. Porém, “por uma questão de bom senso, era importante para o comércio e serviços da cidade” a ACILIS ter sido ouvida.

Lino Ferreira explicou que os últimos dias têm sido “completamente loucos”, com enorme volume de pedidos de informação de associados. 

“Tudo isto é ainda muito confuso. Ainda há muitas dúvidas sobre o funcionamento e estamos a dar respostas capazes aos nossos associados”, sublinhou.

Desde o início da pandemia encerraram nove restaurantes e quatro estabelecimentos de comércio a retalho de pequena escala nos concelhos de Leiria, Batalha e Porto de Mós, onde opera a associação. 

“Não nos podemos queixar muito”, afirmou Lino Ferreira, reconhecendo que “falta confiança para as pessoas voltarem à rua para fazer compras” devido à covid-19. 

Apesar das dificuldades, a ACILIS salientou que os alertas das entidades oficiais “são importantes”: “Estamos a atravessar momentos muito difíceis. A pandemia está aí com alguma força, temos de estar preparados, ser bastante rígidos e atuar conforme as situações que a DGS [Direção-Geral da Saúde] definir”. 

Para recuperar a confiança dos clientes, a ACILIS preparou o selo do comércio seguro para os estabelecimentos dos três concelhos.

“Isso implica que os nossos comerciantes que recebem esse selo têm de ter regras de higiene e segurança nos seus estabelecimentos. É obrigatório ter uma empresa de higiene e segurança que faça esse levantamento e comprove que a entidade está preparada para ter o selo”.