O presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, disse hoje que está disponível para enviar ao Governo o estudo sobre a viabilidade da abertura da Base Aérea nº 5, em Monte Real, à aviação civil.

A posição de Gonçalo Lopes surge em reação à entrevista da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no domingo, que avançou que ainda não viu “nenhum estudo” que demonstre que essa infraestrutura aeroportuária é necessária e aonde.

O autarca socialista reforçou à agência Lusa que a defesa do aeroporto em Monte Real “é baseada num estudo (adquirido pelos Municípios de Leiria e da Marinha Grande), que sustenta esta opção dada a proximidade de Fátima, o único polo da região com capacidade para gerar um fluxo de turistas suficiente para viabilizar a construção de um aeroporto na região”.

“Realçamos que o mesmo estudo demonstra que esta infraestrutura é viável e que existem empresários interessados em investir na sua construção. Teremos todo o gosto de enviar este estudo à senhora ministra”, afirmou o também presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.

Gonçalo Lopes lembrou ainda que o “Município de Leiria desde há largos anos tem vindo a trabalhar no sentido de garantir um aeroporto na região, e sempre trabalhou no sentido de alcançar um consenso alargado sobre este tema, no sentido de defender da melhor forma possível os interesses da região e do país”.

O presidente deu como exemplo a realização do “Fórum Aviação Civil em Monte Real – uma aposta para o desenvolvimento futuro da região”, em junho de 2018, em Leiria, “que contou com a participação de diversos representantes de forças vivas da região”.

Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e Jornal de Negócios, Ana Abrunhosa classificou de “mau exemplo” a disputa entre as regiões de Leiria e Coimbra pela construção de um novo aeroporto na região Centro.

“Hoje na região Centro temos várias cidades a reclamar o aeroporto, isto não é coesão”, enfatizou a ministra.

A ministra da Coesão Territorial, que antes de ir para o Governo liderou a Comissão de Coordenação do Centro (CCDRC), exortou “todos os interessados” no novo aeroporto daquela região a unirem-se em redor de um projeto, trabalharem em conjunto e garantirem que é sustentável.

Ana Abrunhosa considerou ainda que descentralizar serviços em Portugal é “profundamente difícil” e “irrealista” de fazer de um momento para o outro, por existir “grande resistência” nos ministérios.

“Passar qualquer coisa de Lisboa para o resto do país tem uma grande resistência nos serviços dos ministérios. Não estou a dizer nos ministros, estou a dizer nos serviços dos ministérios. É perder poder. Nós temos de ter consciência disto”, disse Ana Abrunhosa.

“Desconcentrar, descentralizar, é profundamente difícil. Este Governo tem tido uma grande coragem neste domínio (…) e ultrapassa muitas resistências”, acrescentou.

Ana Abrunhosa admitiu que há serviços “que são muito mais fáceis de mudar do que outros” e deu o exemplo dos arquivos dos ministérios: “Podem mudar para estes territórios do interior – temos vantagens (…) libertam edifícios que muitas das vezes têm custos elevados”, argumentou.