Declarações de João Gomes Cravinho foram prestadas à margem de uma mesa redonda sobre a “Economia de Defesa para o Futuro”, em Leiria Foto: CML

O ministro da Defesa defendeu hoje que deve ser realizado um estudo para aferir da necessidade para o país de criar mais um aeroporto no Centro, admitindo ser possível abrir a base de Monte Real à aviação civil.

“É preciso assegurar o funcionamento da estrutura militar que é fundamental para o nosso país e para a NATO. As pessoas não têm noção, mas a defesa portuguesa é assegurada 24 horas por dia por aeronaves sediadas em Monte Real [em Leiria]. Isso é fundamental manter, mas não é impeditivo da possibilidade de haver aviões civis a aterrarem e a levantarem voo em Monte Real”, disse João Gomes Cravinho, à margem de uma mesa redonda sobre a “Economia de Defesa para o Futuro”, em Leiria.

O ministro defende, porém, que esta matéria “precisa de ser acompanhada por um estudo” daquilo que se pretende para o país “em matérias de estruturas aeroportuárias no plano nacional”.

Gomes Cravinho referiu que deve existir um estudo entre o Ministério da Defesa e o Ministério das Infraestruturas e da Habitação “para olhar para aquilo que é possível para Monte Real” e, “em paralelo, deve haver um estudo sobre para que serviria, qual o investimento e como se vai buscar o financiamento”.

“Faz sentido pensando nacionalmente haver aqui uma estrutura aeroportuária? Vamos retomar um processo que já esteve em curso e que entretanto foi interrompido pelas eleições de outubro e depois pela pandemia”João Cravinho

Sobre a possibilidade de abrir a Base Aérea nº 5, em Monte Real, se existir um projeto privado, que seja economicamente sustentável, o governante sublinhou que a “perspetiva da Defesa não tem a ver com o sucesso do projeto”.

“A perspetiva é assegurar o bom funcionamento da base militar. Se o projeto é economicamente viável isso já é desde logo para o financeiro, mas também para o Ministério das Infraestruturas. A nossa preocupação é assegurar a viabilidade permanente da base aérea”, reforçou.

Desde que essa viabilidade “entre as utilizações esteja garantida”, João Gomes Cravinho considera que “está assegurada a condição” do uso do espaço para a aviação civil.

Além disso, o ministro recorda que a BA5 “já foi utilizada no passado para receber aviões civis”, pelo que admitiu que pode suceder o mesmo no futuro.

Entretanto, o presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, disse hoje estar disponível para enviar ao Governo o estudo sobre a viabilidade da abertura da Base Aérea nº 5, em Monte Real, à aviação civil. A posição assumida pelo autarca surgiu na sequência de um entrevista da Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, que disse não ter visto qualquer estudo sobre a viabilidade e a necessidade da construção de um aeroporto na região Centro.

Também o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, disse hoje que o estudo sobre a criação de um aeroporto na região Centro, encomendado pelo município, é um contributo ajudar a tornar o país “mais coeso”.

O estudo promovido recentemente pela Câmara de Coimbra no sentido de construir uma infraestrutura aeroportuária a sul de Coimbra, de modo a servir diretamente esta e outras cidades como “Fátima, Figueira da Foz e Leiria, entre outras”, e para “ajudar o Governo a desenvolver um país mais coeso foi apresentado ao ministro da tutela [Pedro Nuno Santos] no início deste ano”, disse à agência Lusa Manuel Machado.

A apresentação foi feita no Ministério das Infraestruturas e da Habitação, em Lisboa, pela Comunidade Intermunicipal (CIM) Região de Coimbra, porque esta entidade, que agrega 19 municípios, “também está empenhada neste assunto [criação de um aeroporto], que é um desígnio estratégico para a região Centro”, sublinhou.

A Câmara de Coimbra promoveu o estudo, pois é fundamental que a região disponha de “uma infraestrutura aeroportuária para voos nacionais e internacionais” e entendeu que deveria “dar um contributo ao país e ao Governo” para criar uma alternativa à Base Aérea de Monte Real, no concelho de Leiria, cuja abertura ao tráfego civil é reivindicada “desde 1962”.

Com redação