A conferência de imprensa decorreu esta tarde Foto: Santuário de Fátima

As contas do Santuário de Fátima vão ser tornadas públicas, “não falta vontade para isso”. A garantia foi dada pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional aniversária de 12 e 13 de Outubro, esta tarde, no Santuário de Fátima.

“Há démarches, um processo em curso e que irão acontecer a seu tempo”, a sua divulgação, garantiu D. José Ornelas.

“Quando se fala de prestar contas, não quer dizer, fundamentalmente, colocar as coisas na praça pública”, defendeu D. José Ornelas, sublinhando que têm “órgãos próprios”. “Também no Santuário é importante que isso se faça e que se faça antes de mais”.

D. José Ornelas explicou que as receitas do Santuário, obtidas a partir das ofertas dos peregrinos, entram num “regime específico” da lei, mas se o assunto for dormidas “já entra noutra contabilidade e isso exige clarificação que, mesmo no Estado, não está esclarecido”, disse numa referência à Concordata assinada em 2004 entre o Estado e a Igreja.

O cardeal-bispo de Leiria-Fátima apontou que a dúvida reside em tentar perceber “até onde vão os fins religiosos que depois isentam de alguns impostos” a instituição religiosa.

“Pensava-se que a comissão paritária entre a Santa Sé e o Estado esclarecesse em breve tempo”, mas “isso até hoje não aconteceu”. O cardeal disse estar “desejoso de que aconteça” e acrescentou não ter “problema nenhum” que as contas sejam divulgadas.

As últimas contas da instituição, relativas ao ano de 2005, foram divulgadas em julho de 2006.

Em 2020, o Santuário de Fátima registou, até final de Setembro, menos 47,9% de receitas dos peregrinos. No total, a quebra de receitas atinge os 50,6%. O reitor do santuário assumiu que a instituição irá fechar o ano com “resultado negativo”.

Plano de restruturação

O reitor recusa a acusação de “pressão” aos trabalhadores da instituição para que se despedissem e diz que, quando o plano de reestruturação “em marcha desde meados do ano” entrou em vigor, a instituição reuniu com os colaboradores por grupos e não individualmente “para que não se sentissem pressionados a rescindir”.

A todos foi comunicado que “o Santuário está aberto a rever os vínculos”, no entanto, em alguns casos, isso foi “desaconselhado”. Além disso, sublinha ainda o responsável, “sempre que não houve renovação, nunca se fez isso sem perceber se era a única receita do agregado familiar”.

Quatro trabalhadores aposentaram-se, registaram-se 14 rescisões amigáveis, 15 demissões apresentadas pelo trabalhador e foram efetuadas 18 não renovações de contratos a termo, adiantou o padre Carlos Cabecinhas.