Há várias casas nas vidas de cada um de nós e também as há no percurso e no trabalho de Thierry Ferreira. O artista plástico que vive e trabalha em Alcobaça tem patente em Leiria “Habitar o lugar”, exposição de escultura concentrada nos serviços centrais do Politécnico de Leiria e que se estende a outros pontos da cidade.

Antigo aluno da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, Thierry Ferreira evoca com as peças em exposição casas em que o escultor já viveu ou ajudou a construir, como é o caso da “CUBIC#91024091”, que representa a construída pelo pai no bidonville de Paris, onde o artista viveu durante três anos.

À primeira vista algumas das esculturas podem não se assemelhar a uma casa, porque remetem para produtos inacabados – uma característica comum a todas as habitações onde Thierry Ferreira já viveu.

Além das três estruturas presentes no exterior da sede do Politécnico, junto às residências do IPLeiria, existem outros núcleos para visitar, nomeadamente um de desenho e fotografia, no interior dos serviços centrais, que são “pesquisas, experiências preparatórias para um trabalho maior”. E há ainda algumas maquetes, que “também podem ser objetos”, e se “transformam depois nas peças maiores” – as estruturas existentes no exterior.

Segundo o artista, algumas das maquetes foram realizadas fora do país, e têm “dimensões entre seis e oito metros”. Exemplo disso é a peça “CUBIC#71027072”, criada em 2018 na Argentina, durante a participação na Bienal de Chaco.

A exposição, que está pensada desde o início do ano, foi inaugurada na passada sexta-feira, dia 2, e pode ser visitada gratuitamente até dezembro.

Também existem alguns trabalhos de Thierry Ferreira espalhados pela cidade, nomeadamente a estrutura “Tipie”, no relvado da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), e “Château de Cartes”, exposta no centro de Leiria, como resultado de uma residência artística na cidade, em 2019.

Thierry Ferreira é licenciado e mestre em Artes Plásticas, pela ESAD.CR, e já foi premiado várias vezes em bienais nacionais e internacionais.

Entre trabalhos ligados a arte urbana, escultura pública e vídeo arte, o artista plástico já participou em vários projetos nestas áreas e desenvolve com regularidade esculturas públicas no estrangeiro, nomeadamente como as instaladas Canadá, Roménia, França, Irão, Palestina, entre outros países.