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Covid-19

Covid-19: Câmara pede esforço coletivo para Leiria evitar recolher obrigatório

Presidente da Câmara lembra que surto num lar ou numa empresa “pode mudar por completo este panorama” e apela “ao confinamento voluntário, uso de máscara e distanciamento social”.

O presidente da Câmara de Leiria, único concelho capital de distrito que não integra os 191 municípios com risco elevado de transmissão da covid-19, apelou hoje para um “esforço coletivo” nos próximos dias, para evitar o recolhimento obrigatório.

“Estamos no limiar de entrar na ‘lista vermelha’ e, por isso, um esforço coletivo tem de ser reforçado nos próximos dias”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes.

Medidas mais restritivas como o recolher obrigatório, no âmbito do estado de emergência devido à covid-19, passaram hoje a incluir mais 77 municípios, atualizando para 191 o número total de concelhos com risco elevado de transmissão do novo coronavírus.

Entre os 18 concelhos capitais de distrito, Leiria, com cerca de 125 mil habitantes, é o único que se mantém fora da lista.

O presidente do município de Leiria reconheceu que “um surto num lar ou numa empresa pode mudar por completo este panorama”, daí “os apelos sistemáticos ao confinamento voluntário, uso de máscara e distanciamento social”.

Gonçalo Lopes adiantou que a exclusão da capital de distrito é “resultado de um trabalho que envolveu uma equipa e que foi feito em rede”, a que acresce o facto de “a população estar alinhada na lógica de proteger, cuidar e recuperar”.

“Fomos a região que mais cedo adaptou a indústria à produção de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras, fatos e viseiras, que criou também um gabinete económico-social com a Nerlei [Associação Empresarial da Região de Leiria], Politécnico de Leiria e Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, para criar grupos de trabalho para implementar medidas de curto prazo para a mitigação da crise”, exemplificou.

Por outro lado, o autarca apontou ter havido “um foco muito grande no acompanhamento dos lares, não só no fornecimento de EPI, mas também na disponibilização de equipamentos, de testagem e com formação constante das direções e de funcionários”.

“Temos tido reuniões quinzenais de forma a percecionar as dificuldades e para partilha de boas práticas”, declarou, referindo, ainda, “a criação de condições para apoio aos cuidados primários de saúde e ao próprio hospital”.

Gonçalo Lopes destacou que a Câmara assumiu “um fator de coesão entre instituições, da saúde, sociais e económicas, garantindo uma coordenação que só existe quando há entreajuda de instituições”, mas “o grande motivo de o concelho de Leiria” estar fora da lista de municípios em situação de recolher obrigatório deve-se ao facto de a população ter aderido, “desde muito cedo, de uma forma massiva, à utilização de máscara, mesmo no espaço público, e cumprir o distanciamento social na maioria dos casos”.

Para isso contribuiu um “programa coletivo de sensibilização”, afirmou o autarca, assinalando que Leiria foi dos “primeiros concelhos a distribuir máscaras e viseiras, perto de cem mil, à população em geral e comércio”.

“Amanhã ou depois poderemos integrar aquela lista, mas este esforço representa que o trabalho em equipa e coordenação entre instituições dá resultados, e que a utilização de máscaras e um comportamento responsável da população retarda a propagação do vírus na comunidade”, acrescentou Gonçalo Lopes.

Admitindo que “Leiria serve de exemplo”, o autarca adiantou que não se trata de “um fenómeno de sorte, mas de trabalho e responsabilidade de todos os leirienses no combate à doença”.