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Covid-19

Covid-19: Nazaré quer 2.500 pessoas a ver as ondas gigantes e paga as despesas

A autarquia “assumirá todos os custos” e pretende ainda garantir as próximas sessões de Tow-In

ondas Nazaré

O Município da Nazaré solicitou esta quarta-feira, dia 4, uma reunião com a Direção Geral de Saúde, “de forma a garantir o regresso da Tow-in [modalidade de surf) à Praia do Norte, que “tanto projetou a Nazaré e Portugal no mundo”.

“O objetivo da reunião é apresentar um plano de contingência, desenvolvido em conjunto com a proteção civil, bombeiros, PSP e Capitania do Porto, no âmbito do qual pretendemos condicionar os acessos às zonas de assistência”, explica o presidente da autarquia, Walter Chicharro.

Assim, condicionando os acessos à praia e estrada do farol, seria permitida a entrada de “um máximo de 2.500 pessoas, que ficariam distribuídas pela zona do farol, da encosta e no areal da própria praia.” “Ao mesmo tempo garantia-se o escrupuloso cumprimento das regras implementadas pela pandemia e a sobrevivência das dezenas de profissionais (surfistas, spotters, fotógrafos, videomakers ou hoteleiros).

“O objetivo é reduzir os acessos a apenas três pontos, com contagem cumulativa e em tempo real, enquanto funcionários da autarquia, agentes da Polícia Marítima e da PSP patrulhariam a zona de público, de forma a fazer cumprir as regras em vigor”, adianta Walter Chicharro, que “não coloca de parte o recurso a segurança privada, de forma a que as forças da autoridade fiquem disponíveis para tarefas de fiscalização e cumprimento da lei”.

A autarquia “assumirá todos os custos envolvidos e pretende ainda garantir que as próximas sessões de Tow-In tenham transmissão online nas plataformas do município, de forma a que não seja quebrada a ligação ao mundo”.

Para Walter Chicharro “o investimento que a câmara municipal e Portugal têm feito na globalização deste fenómeno tem de ser respeitado, enquanto se garante um eficaz controlo de acessos e imposição das regras sanitárias por parte de quem queira assistir”.

A Praia do Norte foi interditada a qualquer atividade de surf por determinação da Capitania do Porto da Nazaré, com base num parecer negativo das autoridades de saúde, alegando perigo para a saúde pública.

Em despacho, o Capitão do Porto da Nazaré interdita “as atividades de Free Surf e Tow-in Surfing”, sustentando a proibição num parecer do Delegado de Saúde Regional da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo, devido “à promoção da aglomeração de público, que constitui um risco acrescido para a saúde pública”, no atual contexto de pandemia da Covid-19.

O capitão do Porto, Zeferino Henriques, explicou que “os serviços de proteção civil da autarquia questionaram as autoridades de saúde sobre a necessidade de estabelecer um plano de contingência”, uma vez que teve início na segunda-feira o período de espera do Nazaré Tow Surfing Challenge, evento da Liga Mundial de Surf (WSL), estendendo-se até 31 de março de 2021.

O parecer do delegado de saúde, corroborado pelos organismos regionais da Direção Geral de Saúde (DGS) “apontou para um risco real para a saúde pública, dada a elevada concentração e circulação de pessoas, como aconteceu no passado dia 29 de outubro”, disse Zeferino Henriques.

Citando o parecer, o capitão do Porto afirmou “praticamente incontrolável o cumprimento das medidas de contenção da pandemia”, nomeadamente o distanciamento social, entre outras medidas determinadas face à atual situação.