Assinar Edições Digitais
Marinha Grande

Nova unidade de cuidados continuados da Marinha Grande abre com 31 utentes

Mudança dos utentes da “antiga” para a nova unidade da Santa Casa da Misericórdia está prevista para terça-feira

António Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, presidiu à inauguração da nova unidade

Os 31 utentes dos cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande deverão mudar-se para o novo edifício já na próxima terça-feira.

A nova unidade de cuidados continuados (UCC II) de longa duração e manutenção, construída junto à primeira, na zona das Vergieiras, no lugar da Embra, foi inaugurada este sábado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Sales.

Com capacidade para 60 camas, o edifício dispõe de oito quartos individuais, 20 quartos duplos e 14 quartos triplos.

A nova unidade irá para já acolher os 31 utentes atualmente internados na UCC I, estando a ser ultimado um acordo com a Segurança Social para mais 20 utentes. Ficam ainda disponíveis nove vagas para serem geridas pela instituição.

O novo equipamento, que representou um investimento na ordem dos 5,5 milhões de euros (incluindo terrenos), totalmente suportado pela instituição, contempla uma ampla e moderna cozinha reservada à nova unidade, um ginásio com espaço para fisioterapia e terapia ocupacional, refeitório, gabinete médico e de enfermagem (com dois postos), salas de terapia da fala, de podologia e cabeleireiro, entre outros gabinetes e serviços de apoio. A lavandaria funciona num edifício anexo.

Implantada num terreno com cerca de 20 mil metros quadrados, a nova construção ocupa 5 mil m2, com pátio e jardim interior.

“Esta obra não é só da Marinha Grande, é do país”, realçou no sábado Joaquim João Pereira, que recordou a “curta” mas preenchida história da Misericórdia da Marinha Grande, uma das mais jovens do país.

Quanto à UCC I, que entrou em funcionamento em 2011, ficará disponível para outras valências, podendo vir a servir de estrutura de apoio ao Hospital de Santo André para acolher altas sociais de doentes não Covid-19, ser convertida numa unidade de cuidados de média duração ou paliativos, ou em centro de dia para acolhimento de utentes que careçam de outro tipo de apoio, segundo sugestão do provedor da instituição.

Dirigindo-se ao secretário de Estado Ajunto e da Saúde, Joaquim João Pereira deixou um pedido de ajuda. “A nossa função é servir e, se possível, melhor do que temos servido, não só para evitar a pandemia, mas também cuidar daqueles que precisam”, frisou.

Já António Sales destacou a importância da nova unidade e da duplicação da sua capacidade atual para acolher doentes com diversas patologias, nomeadamente no atual contexto pandémico.

“Isso é importante porque não nos podemos esquecer desses doentes que precisam de cuidados prementes”, acrescentou o governante, referindo o esforço feito na organização dos serviços de saúde “de forma a poder dar assistência a todos os doentes”.

“Esta unidade também é expressão do que poderá ser a assistência a doentes não-covid e um exemplo paradigmático daquilo que é a relação do Governo com o sector privado e social quando temos que recuperar” a atividade assistencial, adiantou António Sales.

No que toca às Unidade de Cuidados Continuados Integrados, partilhou ainda o esforço da tutela no reforço da rede nacional (RNCCI). Em final de outubro, “estavam a funcionar mais de 9.000 camas da RNCCI, mais 374 do que em finais de 2019”, adiantou, referindo estar previsto para 2021 novo alargamento com novas unidades, entre outras medidas e valências.

Do tratamento da tuberculose ao apoio à terceira idade

Fundada em 1948, a Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande abriu portas em 1952 para tratar doentes com tuberculose, doença que tinha uma prevalência elevada no concelho, nomeadamente entre trabalhadores do sector do vidro, afetando à época mais de uma centena de pessoas.

“Este acompanhamento durou até 1973, data em que a turberculose foi considerada erradicada da Marinha Grande”. A instituição decidiu então dedicar-se ao apoio à terceira-idade, lembra Joaquim João Pereira.

O primeiro lar abriu portas na “enfermaria abrigo” com oito utentes e uma equipa de 12 funcionárias, mas a falta de condições levou à construção do lar dos Outeirinhos, 20 anos depois. Em 2009, a SCMM inaugurou o lar das Vergieiras e, em 2011, a primeira Unidade de Cuidados Continuados de longa duração (UCC I).

A instituição, que gere ainda o Centro infantil Arco Íris desde 1995, conta com a colaboração de 226 funcionários, dos quais 24 estão atualmente “de baixa médica”.

Com a abertura da UCC II, a equipa deverá “passar para 240 funcionários”. Além dos 430 utentes que acompanha nas diversas valências (estruturas residenciais para idosos, serviço de apoio domiciliário, centro de dia e centro infantil), a Misericórdia presta ainda apoio a 174 famílias (cerca de 480 pessoas) com refeições e alimentos.