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Covid-19

Centros de saúde da região de Leiria receberam luvas usadas e danificadas

Administração Regional de Saúde do Centro confirma o problema detetado num lote de 3.310 caixas distribuídas pela diversas unidades da região Centro

Foi com espanto e muita indignação que os profissionais do Centro de Saúde Dr. Arnaldo Sampaio, em Leiria, receberam esta semana milhares de luvas usadas e danificadas.

No Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral (ACES PL), o primeiro alerta partiu da unidade de Pombal, que reportou logo o caso à tutela.

Na terça-feira de manhã, as diversas unidades do Arnaldo Sampaio depararam-se com um total 6.000 luvas inutilizáveis, distribuídas por 60 caixas, fechadas e seladas, importadas da China.

Contactada pelo REGIÃO DE LEIRIA, Ana Silva, médica de Saúde Pública do ACES PL, conta que as luvas estão num “estado vergonhoso” e que “até contas de cálculo têm”.

“Dá a ideia que usaram as luvas, lavaram-nas com lixívia, porque não cheiravam mal, secaram-nas e meteram-nas dentro das caixas”, deduz Ana Silva, acrescentando que a grande maioria ficou manchada com Betadine.

“Parece que misturaram luvas de boa qualidade com luvas reaproveitadas”, refere ainda, sublinhando que se trata de uma compra feita a nível central , sendo a distribuição efetuada pela Administração Regional de Saúde deo Centro (ARSC).

Já na última semana, houve notícia da entrega de luvas contaminadas em hospitais e unidades de saúde do norte do país e do Alentejo. O problema estendeu-se agora às unidades de cuidados de saúde primários da região Centro, incluindo Leiria.

Em resposta ao REGIÃO DE LEIRIA, a ARSC confirma a deteção “das anomalias num lote de luvas de Nitrilo fornecidas pela empresa Princess”, acrescentando que “só aquando da abertura das caixas é que foi possível detetar a situação anómala e lamentável”.

“Todos os requisitos legais foram cumpridos aquando da aquisição das luvas bem como do seu fornecimento e distribuição: as amostras cumpriam os requisitos exigidos; as caixas vinham devidamente seladas; e seladas chegaram às unidades de saúde”, explica.

A aquisição foi efetuada através de concurso público e incluiu o envio prévio de amostras que cumpriram os requisitos do Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

Segundo a ARSC, o lote em causa contemplou a distribuição na região Centro de 3.310 caixas de luvas [correspondentes a 331.000 luvas de uso único], mas não avança o montante envolvido.

Adianta ainda ter informado todas as unidades de saúde para “recolha do produto” e que, além do “devido report” ao Infarmed, o caso foi objeto de “uma reclamação à entidade fornecedora das luvas”.´

Segundo notícia do Polígrafo da passada sexta-feira, relacionadas com a distribuição de luvas usadas em hospitais, “a empresa fornecedora do material, importado da China, confirmou o ocorrido e assegurou que já mandou retirar as luvas danificadas”.

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