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Saúde

Adesão ao Programa Nacional de Vacinação com “valores excelentes” na região de Leiria

A vacina da varíola foi descoberta no final do século XVIII, e foram necessários quase dois séculos para a doença ser erradicada. Na Semana Europeia da Vacinação, recordamos ainda o esquema recomendado em Portugal com as atualizações do último ano

“Apesar da pandemia, as pessoas têm continuado a cumprir o Programa Nacional de Vacinação (PNV). Temos valores de cobertura excelentes, na generalidade das vacinas”, destaca Ana Silva, coordenadora do programa no Agrupamento de Centros de Saúde do Pinhal Litoral (ACeS PL).

Segundo a responsável, a taxa de cobertura do PNV ultrapassa os 90% nos cinco concelhos do ACeS PL (Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós).

Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam ainda que a cobertura vacinal no ACES PL rondava, em junho de 2020, 93% para um conjunto de seis vacinas – tosse convulsa, Prevenar 13, 1ª dose VASPR, MenC, 2ª dose VASPR e tétano e difteria -, acima das médias registadas na região Centro (88,5%) e a nível nacional (81,9%).

 A Semana Europeia da Vacinação decorre este ano sob o mote “As vacinas aproximam-nos” 

Entretanto, em outubro de 2020, o PNV sofreu alterações, com a inclusão da vacina contra a doença invasiva por Neisseria meningitidis do grupo B (vacina MenB) a todas as crianças no primeiro ano de vida (três doses).

Já a vacinação contra infeções por vírus do papiloma humano (vacina HPV) – incluindo os genótipos causadores de condilomas ano-genitais – passou a abranger os rapazes, aos 10 anos de idade. Em dezembro, o PNV passou também a contemplar a vacina contra o rotavírus – principal causador de gastroenterites em crianças – para grupos de risco.

Helena Barbosa e João Aguiar, internos de Medicina Geral e Familiar na USF de S. Martinho, em Pombal, destacam a importância da vacina HPV para os rapazes como medida preventiva e a sua mais-valia “para a redução das consequências deste vírus, principalmente se realizada antes do início da atividade sexual”, e “da transmissão na comunidade”.

Ainda que a eficácia da vacina seja mais evidente quando administrada antes do início da vida sexual, “qualquer pessoa não anteriormente vacinada e que não tenha contraindicação” pode ser vacinada contra o HPV, “especialmente se tiver idade igual ou inferior a 26 anos”, acrescentam.

Tome nota do plano ao detalhe

  • À nascença
    • 1ª dose da vacina contra a hepatite B (VHB)
  • Aos 2 meses
    • Vacina hexavalente DTPaHibVIPVHB
      • 1ª dose contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTPa)
      • 1ª dose contra doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b (Hib)
      • 1ª dose contra a poliomielite (VIP)
      • 2ª dose da vacina contra a hepatite B (VHB)
    • 1ª dose da vacina conjugada contra infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos (Pn13)
    • 1ª dose contra Neisseria meningitidis B (MenB) para nascidos a partir de 2019
  • Aos 4 meses
    • 2ª dose de DTPa, Hib e VIP (vacina pentavalente DTPaHibVIP)
    • 2ª dose de Pn13
    • 2ª dose contra Neisseria meningitidis B (MenB) para nascidos a partir de 2019
  • Aos 6 meses
    • 3ª dose de DTPa, Hib, VIP e VHB (vacina hexavalente DTPaHibVIPVHB)
  • Aos 12 meses
    • 3ª dose da Pn13
    • Vacina contra a doença invasiva por Neisseria meningitidis C – MenC (dose única)
    • 1ª dose da vacina contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR)
    • 3ª dose contra Neisseria meningitidis B (MenB) para nascidos a partir de 2019
  • Aos 18 meses
    • Vacina pentavalente DTPaHibVIP
      • 1º reforço de DTPa (4ª dose) e de VIP (4ª dose)
      • Único reforço de Hib (4ª dose)
  • Aos 5 anos
    • 2º reforço (5ª dose) de DTPa e de VIP – vacina tetravalente DTPaVIP
    • 2ª dose de VASPR
  • Aos 10 anos
    • Reforço da vacina contra o tétano e difteria (Td)
    • 2 doses da vacina contra infeções pelo vírus do Papiloma humano de 9 genótipos (HPV9), administrada a raparigas e rapazes nascidos a partir de 2009 (com intervalo de seis meses entre doses)
  • Grávidas
    • Tétano, difteria e tosse convulsa (Tdpa) – Uma dose em cada gravidez, preferencialmente após a 1ª ecografia morfológica, idealmente entre a 20ª semana e a 32ª semana de gravidez.
  • Durante toda a vida:
    • Reforços das vacinas contra o tétano e difteria (Td) em doses reduzidas aos 10, 25, 45, 65 anos de idade e, posteriormente, de 10 em 10 anos.

Os adultos não vacinados contra o tétano devem iniciar esta vacina em qualquer idade. As grávidas não protegidas contra o tétano devem ser vacinadas. Além de se protegerem, evitam o tétano nos seus filhos à nascença.
Fonte: Direção-Geral da Saúde

Sabia que…?

É atribuída a Edward Jenner a descoberta da primeira vacina no mundo: a vacina da varíola em 1798. Começou a ser administrada em Portugal no ano seguinte mas foi necessário quase um século para passar a ser obrigatória. O último caso de varíola em Portugal foi reportado em 1952, tendo a doença sido declarada erradicada pela Organização Mundial da Saúde a 8 de maio de 1980.

Em 1962, passaram a ser também obrigatórias em Portugal as vacinas do tétano e da difteria, as únicas duas vacinas que mantêm atualmente esse carácter no âmbito do Programa Nacional de Vacinação (PNV), o programa de saúde mais antigo em Portugal.

Publicado pela primeira vez em 1965, no âmbito de uma campanha contra a poliomielite, o PNV contempla a distribuição universal e gratuita de vacinas a toda a população de acordo com um calendário e orientações técnicas previamente definidos.

Na década anterior à implementação do PNV, e de acordo com a “Breve história das vacinas “, da autoria da médica Paula Valente, o tétano provocou em Portugal, entre 1956 e 1965, 2.625 mortes de entre 3.923 casos diagnosticados; a difteria 1.457 vítimas de entre 19.100 casos; a tosse convulsa 873 mortes num total de 14.429 casos; e a poliomielite 316 óbitos de entre 2.723 doentes.

Com uma taxa de cobertura a ultrapassar os 90%, foi possível ao longo dos anos eliminar em Portugal a difteria, a poliomielite, o sarampo e o tétano neonatal, bem como reduzir significativamente o número de casos de meningite por Hib e meningo C, tosse convulsa, parotidite epidémica e rubéola congénita, refere Paula Valente, considerando as vacinas “a medida com maior impacto em Saúde Pública, a seguir ao fornecimento de água potável”.

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