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Pombal

Pombal olha para os desafios do novo modelo de resposta ao envelhecimento da população

Estudo realizado pela União das Misericórdias Portuguesas foi o ponto de partida para o debate que decorreu, esta quarta-feira, dia 13. O sistema desajustado para os idosos na atualidade é a principal preocupação

“O modelo de apoio a idosos em vigor está desajustado porque o perfil da sociedade portuguesa mudou muito desde que, há 25 anos, começaram a ser implementadas em cooperação as primeiras políticas públicas em sede de envelhecimento”. É esta a principal conclusão de um estudo realizado pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP), apresentado esta quarta-feira, em Pombal, e que pretende apresentar um conjunto de novas respostas para os idosos do futuro.

Numa conferência organizada pela UMP sobre o futuro do envelhecimento, a plateia presente no auditório da Biblioteca Municipal de Pombal escutou personalidades que já desempenharam funções governativas na área da saúde e segurança social, como José Vieira da Silva, ex-ministro da Segurança Social, e Paulo Macedo, ex-ministro da Saúde.

Mas também a perspetiva local, com a participação de Joaquim Guardado, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pombal, e de Diogo Mateus, presidente cessante da Câmara Municipal de Pombal.

Segundo o estudo “Envelhecimento: respostas seniores do futuro – um modelo de respostas especializadas integradas”, entre as principais alterações verificadas nos últimos 25 anos, estão as expectativas das pessoas em relação ao seu envelhecimento, já que pretendem permanecer em casa no novo ciclo da sua vida. Também as competências atuais são diferentes e tornam estes “novos idosos” mais aptos a lidar com as novas tecnologias e ainda o aumento da esperança média de vida que acaba por se refletir em quadros clínicos com várias doenças crónicas e que torna as demências e a terminalidade (cuidados paliativos) cada vez mais comuns.

Os desafios do futuro

Ao longo da conferência foram feitas várias reflexões sobre todas estas alterações sociais que, na perspectiva dos intervenientes, exigem uma redefinição das políticas públicas do Estado em sede de envelhecimento.

José Vieira da Silva destacou “a transformação sociodemográfica que vivemos”. O ex-ministro da Segurança Social alertou para “o aumento do envelhecimento, resultante da diminuição do número de nascimentos e do aumento da esperança média de vida e para o agravamento do risco do isolamento social dos idosos, provocado pelo fluxo migratório que se registou nos últimos anos”.

As condições de saúde existentes, no escalão etário “pós- 70 anos”, em Portugal, foi outra das questões levantadas por José Vieira da Silva: “Em Portugal existe quase um acompanhamento dos outros países mais desenvolvidos em termos de esperança média de vida mas com menor qualidade de vida do ponto de vista da saúde”.

Vieira da Silva acredita que, contudo, neste ponto, irá haver mudanças no futuro. “A nova geração de idosos tem muito mais capacidade de fazer parte da nossa vida quotidiana porque não tem os problemas de saúde pública e das más condições alimentares e habitacionais que marcaram esta geração”, referiu.

A importância da inclusão digital

Paulo Macedo destacou a importância da inclusão digital na população idosa. “Dotar as pessoas de ferramentas através das quais possam controlar a sua tensão arterial, os seus exercícios e receber os seus dados clínicos e os resultados das suas análises por via digital é absolutamente fulcral e tem de ter uma resposta ao nível institucional”, sublinhou. 

A importância da intervenção domiciliária foi outra das questões abordadas. “Parece-me um objetivo fulcral criar condições para que as pessoas possam estar em casa que, hoje em dia, são bastante deficitárias, nomeadamente ao nível de equipamentos na área da telemedicina”, referiu Paulo Macedo.

Diogo Mateus falou da importância do reforço do apoio domiciliário. “Se perguntassem a cada um de nós onde quereríamos passar os últimos dias da nossa vida, diríamos: ‘na nossa casa, no sítio onde nos sentimos bem’, poucos iriam dizer: ‘no hospital ou num lar’. Este é o pensamento normal e isso significa que a capacitação domiciliária será um dos fatores mais importantes a considerar no futuro”, disse o autarca.

Frisou ainda o papel que as Comissões Sociais de Ação Social têm desenvolvido ao nível local e como podem ajudar a identificar os problemas mais prementes nas populações mais isoladas. “Estas comissões foram criadas pelo Município mas trabalham nas juntas de freguesia, reúnem com as entidades locais e permitem reforçar a nossa capacidade operacional e, diagnosticar os problemas locais”, afirmou.

O debate para aprofundar as diferentes perspetivas sobre os desafios do novo modelo de resposta ao envelhecimento da população vai continuar a decorrer por todo o país. As próximas sessões decorrem no Peso da Régua, esta sexta-feira, dia 15, e, em Beja, no dia 18.

Fotos: CMP / SSC

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