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Desporto

Alcobaça Clube de Ciclismo quer continuar a potenciar jovens talentos nacionais

Na próxima temporada, o clube vai estar representado nas provas regionais e nacionais por atletas de Porto de Mós, Leiria, Tomar, Abrantes, Bombarral e até Castelo Branco.

foto da festa de encerramento de época onde estão vários atletas do clube com o ciclista Tiago Santos
Festa de encerramento de época em outubro de 2021 Alcobaça Clube de Ciclismo

O Alcobaça Clube de Ciclismo é um clube amador, mas tem mostrado, ao longo dos 19 anos de história, que completa esta sexta-feira, ser “profissional” na formação de jovens talentos da modalidade.

“Desde a fundação, já conquistámos 54 primeiros lugares a nível nacional, dos quais 25 foram títulos de campeão nacional. Quase todos os anos conseguimos ter um atleta que se sagra campeão nacional”, atira, de imediato, o presidente do Alcobaça Clube de Ciclismo, Joaquim Marques.

Pelo clube já passaram nomes incontornáveis do ciclismo luso: o atual bicampeão da Volta a Portugal, Amaro Antunes (W52-FC Porto), que em 2008, enquanto júnior, foi vencedor da Volta a Portugal, da Taça de Portugal e campeão nacional de fundo e contrarrelógio, arrecadando um total de 15 primeiros lugares; Rafael Reis (Glassdrive-Q8-Anicolor), que nas duas épocas seguintes também subiu ao topo do pódio por diversas vezes, e agora “brilha” no pelotão luso; e Ruben Guerreiro (EF Education-EasyPost), o “rei da montanha” do Giro2020, que aí deu o “salto” para o profissionalismo.

Em 2017, o “júnior” Guilherme Mota (W52-FC Porto) voltou a elevar o patamar no clube, com o título de campeão português de fundo e a Taça de Portugal, aos quais somou o título nacional de contrarrelógio no ano seguinte, passando o “testemunho” a Tiago Santos.

Na última temporada, a jovem promessa de 16 anos venceu, na categoria de cadetes, a 13.ª edição da Volta a Portugal ou o Troféu Alves Barbosa, e sagrou-se campeão nacional de contrarrelógio, alcançando ainda a medalha de bronze na prova de fundo.

“É sempre arriscado deitar foguetes antes da festa, mas estamos convencidos que o Tiago Santos, além dos excelentes resultados que tem vindo a mostrar, tem ainda uma grande margem de progressão e está debaixo dos olhares de várias equipas. Iniciou-se no ciclismo em 2012 e, ao longo destes 10 anos, conquistou 105 lugares no pódio, sendo 80 deles o primeiro lugar”, recorda Joaquim Marques à agência Lusa, confirmando que, apesar das propostas, o novo líder de equipa já renovou por mais duas épocas.

O Alcobaça Clube de Ciclismo foi fundado em 2003, dando sequência ao projeto de ciclismo que já existia naquela cidade desde o início dos anos 90, através da secção de ciclismo da Associação Alcobacense de Cultura e Desporto, por onde passou Sérgio Paulinho, vice-campeão olímpico de fundo em Atenas2004.

Desde então, o clube tem apostado nos escalões de formação, sendo um dos poucos do país com escalões de escolas, cadetes e juniores.

“Durante um certo período, o clube optou estrategicamente por ter uma boa equipa de juniores, centrando aí todos os seus esforços e recursos, e tornámo-nos uma equipa de nível acima da média. Éramos procurados pelos melhores atletas do pelotão nacional que sabiam que tinham aqui boas condições para fazer ciclismo e, por isso, alcançámos notáveis resultados”, refere Joaquim Marques.

Contudo, segundo o dirigente, o modelo “esgotou-se” e era necessária uma mudança.

“Era a vez de trabalhar com todos, abrir a porta a todos e encontrar valores. Para conseguir ter atletas com valor e potencial é preciso apostar em vários atletas durante vários anos e aqui e ali ir encontrando atletas de mérito”, sublinha, explicando que, apesar de uma direção amadora, o clube oferece condições de evolução.

“No Alcobaça Clube de Ciclismo, fazemos a preparação com estágios intensivos de fim de semana, geralmente de 15 em 15 dias, em que os atletas entram no clube ao sábado de manhã, treinam, comem, voltam a treinar, têm sessões de formação teórica, dormem e no domingo voltam a treinar”, enumera.

Os atletas, conta, são acompanhados por cinco treinadores, quatro diretores desportivos, um fisioterapeuta, um massagista e uma nutricionista.

“Faz-se um grande esforço financeiro, mas também humano, pois temos que ter quem cuide das instalações, da comida, das bicicletas, das roupas…acreditamos que tudo isto faz a diferença. É assim que trabalham as equipas profissionais e nós queremos aproximar-nos desse modelo e proporcionar idênticas condições aos nossos atletas”, salienta.

Joaquim Marques nota ainda que, “geralmente, nos clubes de ciclismo o treinador é simultaneamente o presidente”. “Aqui são pessoas diferentes”, completa o presidente, destacando a aposta no técnico Jorge Caldeira, ex-ciclista com vasta experiência como treinador de formação.

Nesta temporada, que arranca no próximo mês de março, o Alcobaça Clube de Ciclismo vai estar representado nas provas regionais e nacionais por 35 corredores, provenientes de zonas como Porto de Mós, Leiria, Tomar, Abrantes, Bombarral e até do distrito de Castelo Branco, e pretende continuar a mostrar a razão pela qual é um dos mais reconhecidos clubes de formação do País.

Já no dia 20 de agosto, feriado concelhio, o Alcobaça Clube de Ciclismo espera retomar a realização do Circuito de Alcobaça, única prova organizada por um clube de formação destinada a profissionais.

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