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Saúde

Centro Hospitalar de Leiria pede ao CODU para encaminhar doentes graves para Coimbra

Unidade justifica medida com o aumento de afluência de utentes, “muito superior à sua capacidade” de resposta. A decisão vai ser reavaliada ao início da noite

A administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) solicitou esta quarta-feira à tarde ao CODU que os doentes emergentes fossem encaminhados para hospitais de referência, nomeadamente para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

A medida, que será reavaliada ao início da noite, decorre do aumento da afluência de doentes ao Serviço de Urgência Geral (SUG) do hospital de Leiria, “muito superior à sua capacidade”, e das dificuldades sentidas em dar “uma resposta adequada ao nível da prestação de cuidados de saúde”.

O CHL esclarece ainda que a decisão se enquadra no sistema de colaboração existente entre as várias instituições do Serviço Nacional de Saúde, “que funcionam em rede”, e que “estão a ser definidas medidas para regularizar esta situação”.

Entre estas, destaca a “paragem de atividade assistencial programada de consultas menos urgentes, de forma a dar resposta aos doentes mais graves, alocando mais recursos médicos no atendimento no SUG e possibilitando o aumento do fluxo de doentes nas enfermarias”.

Foram ainda asseguradas mais dez camas para o internamento de doentes, refere a unidade.

Em declarações ao REGIÃO DE LEIRIA, Salvato Feijó, diretor clínico do CHL, confirma o registo de “recordes” de afluência ao SUG do hospital de Leiria, que se cifrou esta terça-feira, 31 de maio, em 389 atendimentos. Tendência que se manteve esta quarta-feira.

Segundo o responsável, a “procura inusitada das urgências hospitalares estende-se a todo o país, e Leiria não é exceção”. Acresce, no caso de Leiria, a necessidade de dar resposta às urgências dos hospitais de Alcobaça e de Pombal, da Pediatria e de Obstetrícia, frisa ainda, dando nota de que o corpo clínico do CHL é composto por 269 médicos.

Para Salvato Feijó, estes “picos de afluência não têm precedentes” e, em Urgências, “com a escassez de profissionais, transversal a todo o país, parece-me ser o prenúncio de maiores dificuldades no verão, com o aumento previsível do turismo e chegada de emigrantes, e com as férias que têm que ser dadas aos profissionais que estão em exaustão depois de dois anos de pandemia, que ainda não terminaram”.

“É uma situação que vemos com grande apreensão e estamos a tentar dar a melhor resposta possível”, salienta, referindo a necessidade de “parar alguma atividade não urgente, menos visível para os doentes, nomeadamente certo tipo de consultas, para conseguirmos recrutar o maior número de profissionais para a urgência e para a enfermaria”.

O responsável e a administração do CHL reiteram o apelo aos utentes que não necessitem de cuidados de saúde urgentes que recorram aos Cuidados de Saúde Primários “de forma a libertar as urgências hospitalares para os casos mais graves, que necessitam de cuidados de saúde mais imediatos e especializados”.

Situação “recorrente” e “extremamente grave”, denuncia o SIM

Para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) da Região Centro, que denunciou o fecho da urgência, a situação que “tem sido recorrente” é “extremamente grave”. “Está em causa a assistência a 400 mil pessoas por insuficiências do Hospital, relacionada com a falta de investimento do Ministério da Saúde nos serviços e no SNS”, destaca José Carlos Almeida, secretário regional do sindicato.

O responsável refere ainda que “a urgência de ortopedia cirúrgica também não está bem” e que “pode também encerrar”, além de denunciar a “falta de camas e de macas”.

Segundo José Carlos Almeida, não tendo “sítio para se deitarem” os doentes “têm que ir embora ou serem encaminhados para outro hospital”.

“Nunca parámos a urgência completamente, nunca fechámos a porta”, garante por sua vez Salvato Feijó, referindo que o pedido ao CODU para fazer o desvio dos doentes mais complexos para o CHUC exclui “os doentes cirúrgicos e ortopédicos, uma vez que continuamos com capacidade para os receber e tratar”.

“Todos os outros doentes, temos que os ver, com maior ou menor tempo de espera. Não mandamos para trás as pessoas que nos venham bater à porta. Agora gostávamos de ter ajuda de contenção dos cuidados primários porque continuamos com uma percentagem muito elevada dos chamados doentes azuis e verdes, que representam mais de 30% dos doentes que vêm à urgência”, alerta.

(Notícia atualizada às 19h45 com declarações de Salvato Feijó, diretor clínico do CHL e de José Carlos Almeida, do SIM da região Centro)

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