O Centro de Reabilitação de Ecossistemas Ribeirinhos (CRER), antigo posto aquícola de Campelo, em Figueiró dos Vinhos, vai receber um investimento de 675 mil euros para criar um espaço de acolhimento, interpretação e visitação, divulgou hoje o município.
Numa nota de imprensa, a Câmara de Figueiró dos Vinhos explicou que o investimento prevê a reabilitação do edifício, junto à ribeira de Alge, afluente do rio Zêzere, para a criação de um welcome center, uma infraestrutura de “acolhimento, interpretação e visitação”.
O espaço será “porta de entrada para escolas, famílias, turistas e técnicos”, de “divulgação científica e educação ambiental sobre rios, peixes nativos e ecossistemas ribeirinhos”, e “ponto de partida para percursos e atividades de natureza ligadas à água”, adiantou a autarquia.
“Paralelamente, serão reforçadas as condições do CRER como um autêntico ‘laboratório vivo’ para a recuperação de espécies piscícolas nativas, com destaque para a truta, em articulação com universidades e entidades nacionais e internacionais”, referiu.
Fonte da autarquia declarou à agência Lusa que a concretização deste investimento vai permitir a abertura ao público do espaço, uma ambição do município com vários anos.
Este investimento integra o projeto “LIFE REVIVE”, desenvolvido por um consórcio internacional liderado pela Universidade de Évora e financiado pelo programa LIFE.
“Do consórcio fazem parte, igualmente, a Universidade de Santiago de Compostela, outras entidades públicas e privadas, organizações não-governamentais e os municípios de Águeda, Arcos de Valdevez, Mora e Ponte de Lima”, segundo a autarquia.
O valor global do projeto é na ordem dos 6,5 milhões de euros financiado pela União Europeia em cerca de 3,9 milhões de euros e com a duração de cinco anos.
Para o Município de Figueiró dos Vinhos, “a participação no ‘LIFE REVIVE’ representa um salto qualitativo na estratégia do concelho em três dimensões centrais”, como a “melhoria do conhecimento e da capacidade de intervenção nos ecossistemas ribeirinhos, reforçando a resiliência do território às alterações climáticas e valorizando rios e linhas de água”.
Do ponto de vista económico, possibilita a “criação de novas oportunidades ligadas à bioeconomia, ao turismo de natureza e ao turismo científico, com impacto na atração de investimento, na criação de emprego qualificado e na dinamização de atividades locais”.
Já no âmbito social e educativo, permite o “envolvimento direto de escolas, associações, pescadores e população em geral em ações de sensibilização, voluntariado ambiental e participação em projetos europeus de referência”.
Citado na nota de imprensa, o presidente da Câmara, Carlos Lopes, destacou que este projeto afirma o concelho “como referência nacional na recuperação de ecossistemas ribeirinhos, traz investimento europeu” e cria condições para que os rios e ribeiras “sejam fonte de orgulho, conhecimento, lazer e desenvolvimento económico sustentável”.
“Ao lado de universidades, organismos do Estado e parceiros internacionais, Figueiró dos Vinhos ganha voz e protagonismo num dos temas mais importantes do nosso tempo, a proteção da água e da biodiversidade a ela associada”, acrescentou Carlos Lopes.
Em outubro de 2024, as primeiras trutas assilvestradas criadas no então designado posto aquícola foram libertadas na ribeira de Alge.
Na ocasião, fonte da autarquia explicou que o projeto e conteúdos para o CRER, para mostrar e divulgar o trabalho desenvolvido, estavam feitos, esperando-se financiamento para a sua concretização.
Agora, a Câmara realçou ainda, entre outros aspetos, que o investimento “coloca o concelho no mapa de projetos ‘LIFE’ de referência em restauro de rios”.