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Cultura

Inteligência Artificial marca 4.º Festival Leiria Cidade Criativa da Música

Nesta edição do festival, um quarteto da Camerata de Cordas de Leiria terá como “maestro” uma aplicação de telemóvel.

O festival começa com o Ensemble de Sopros da Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria no Teatro José Lúcio da Silva, no dia 13 de fevereiro FOTO: Joaquim Dâmaso

 A Inteligência Artificial (IA) é o tema do 4.º Festival Leiria Cidade Criativa da Música, que de 13 a 15 de fevereiro apresenta três espetáculos com mais de uma dúzia de obras em estreia e uma performance multidisciplinar.

O evento, que este ano conta com nova direção artística, do pianista e investigador João Costa Ferreira, propõe-se, a partir da música, lançar a reflexão sobre o impacto da IA e fixar um testemunho sobre o impacto que terá numa sociedade cada vez mais moldada pela tecnologia.

“Achei pertinente, por causa dos tempos que vivemos, fazer o público pensar. Aquilo a que chamamos cultura distingue-se do entretenimento, entre outras razões, em grande parte por ter o poder de transformar e de pôr a pensar – e eventualmente ser um agente transformador da nossa forma de ver e pensar o mundo”, afirmou o diretor artístico à agência Lusa.

João Costa Ferreira, que assumiu o festival já com o tema definido pela Leiria Cidade Criativa da Música, decidiu assim, em particular com a performance “Escravos da IA”, no dia 13 de fevereiro, provocar os espetadores.

Na Black Box Leiria, serão invertidos os papéis, ou seja, “fazer dos seres humanos escravos que estão a obedecer a pedidos ou ordens da máquina – e interpretar essas ordens”.

Um quarteto da Camerata de Cordas de Leiria terá como “maestro” uma aplicação de telemóvel.

“É essa aplicação que vai estar a dar ordens ao músico: ‘faz isto ou aquilo, toca um Dó agudo em ‘staccato’, faz um glissando, toca uma melodia assim… Vai mandando pedidos aleatórios, que o músico terá de interpretar”, explicou.

Nesta experiência, “o caos pode acontecer”, até porque as aplicações vão funcionar independentemente, além de que ninguém vai ensaiar.

“Não quero que eles saibam o que lhes vai ser pedido”.

Por isso, será necessária explicação prévia para o público perceber “esta dimensão experimental” e “as questões filosóficas que este conceito pretende levantar”.

Para o diretor artístico, importa colocar questões como “até que ponto a IA vai ser uma segunda Revolução Industrial e de que forma ela vai abalar a sociedade, as democracias, porventura?”.

“Será que pode ser usada para o mal e para o bem? Será que a IA vai ser uma arma de regimes autoritários, não-democráticos?”.

Paralelamente, em “Escravos da IA” o pintor João Sobreira irá criar uma tela em tempo real e o bailarino Bruno Duarte improvisará a partir do que o quarteto tocar.

O festival completa-se com dois concertos, em que serão estreadas composições originais, encomendadas ou candidatas ao Concurso Internacional de Composição de Leiria.

Dada a natureza do tema, todos os compositores farão acompanhar as partituras com textos explicativos.

“Estamos em 2026 a falar de algo que é um embrião de algo que hoje ainda não conseguimos imaginar. Será também um testemunho daquilo que as pessoas em 2026 pensavam que ia ser a IA, como hoje quando ouvimos entrevistas de pessoas dos anos 1990, que falaram de como seria o ano 2025”, explicou João Costa Ferreira.

O festival começa com o Ensemble de Sopros da Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria no Teatro José Lúcio da Silva, no dia 13 de fevereiro.

Sob direção do maestro Rui Carreira, serão estreadas as obras encomendadas a Pedro Faria Gomes, Edward Luiz Ayres d’Abreu, Ana Seara, Tiago Derriça e Fábio Cachão e ao georgiano Giorgi Arabidze, numa ponte artística com Cutáissi, na Geórgia, Cidade Criativa da Literatura UNESCO.

A fechar, no dia 15 de fevereiro, também no Teatro José Lúcio da Silva, a Orquestra JAzz de Leiria, dirigida por César Cardoso, dá a ouvir pela primeira vez composições de Nuno Guedes Campos, Johannes Krieger, Paulo Perfeito, Andreia Santos, Francisco Nascimento, Estela Alexandre e as obras finalistas do Concurso Internacional de Composição de Leiria.


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