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Quando o verbo trabalhar se conjugava cedo demais

A história de Maria Augusta ajuda a perceber o peso do analfabetismo em Portugal. Começou a trabalhar aos nove anos, descalça, a guardar gado na serra. Nunca foi à escola e, aos 92 anos, carrega na memória uma infância sem letras nem proteção

Maria Augusta com o filho Jaime Tomás, na sua casa em Alvorge, Ansião Foto: SF

“Dei muita volta para chegar aqui”, diz Maria Augusta, de 92 anos. “Se chegar a 7 de fevereiro faço 93”, graceja, com a nobreza de quem começou a superar-se a si mesma desde tenra idade. Nunca aprendeu a ler nem a escrever. Aos nove anos começou a trabalhar, descalça, a guardar um rebanho de 18 ovelhas e 8 cabras na serra do planalto de Sicó. No Portugal do início do século XX, o trabalho infantil marcou a vida de uma parte significativa das crianças: em vez de estudarem, como hoje, exerciam atividades laborais, por vezes bastante duras, para ajudar no sustento da família.


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