António José Seguro foi eleito, este domingo, Presidente da República Portuguesa. A partir do Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha, que escolheu para lançar a candidatura e encerrar o processo eleitoral, assumiu-se como “filho de uma família simples”. Nas Caldas da Rainha, vai manter a base familiar e a cidade não esconde o orgulho de o ver eleito.
O Presidente da República eleito assumiu um tom pessoal e emotivo no discurso. Apresentando-se como “filho de uma família simples que aprendeu o valor do trabalho, da honestidade e da palavra dada”, António José Seguro recordou as suas raízes numa “pequena vila do interior”, Penamacor. “Lembro-me de um jovem que acreditou que a política pode ser serviço e que a democracia pode mudar a vida”, partilhou, garantindo que “sou o mesmo de sempre, sou um de vós, um de nós”.
A escolha das Caldas da Rainha e do CCC para a noite eleitoral não foi fortuita. Foi naquela mesma sala que apresentou a candidatura e é nesta cidade que tenciona manter a sua base familiar, rompendo com a tradição de mudança total para Lisboa. A família mereceu, aliás, um destaque especial com o Presidente eleito a dirigir-se à sua mulher, Margarida, e aos filhos, Maria e António, no processo que o conduziu à eleição: “Como é bom sentir o vosso abraço, obrigado por caminharmos juntos e por estarem sempre ao meu lado”, disse.
Na chuvosa manhã de segunda-feira seguinte às eleições, Caldas da Rainha acordou com um dos seus residentes como o novo Presidente da República. Na cidade há um misto de “orgulho” e de esperança que algo mude, sobretudo ao nível da projeção que o novo inquilino do Palácio de Belém pode trazer, mas também há quem considere que pouco ou nada mudará.
As reações começaram na noite de domingo, em pleno CCC, onde às várias figuras quer dos socialistas – como João Soares e Ana Mendes Godinho – quer da política caldense, se juntavam muitos cidadãos anónimos que rejubilaram com o triunfo de António José Seguro. No auditório e nos corredores do CCC “orgulho” era das palavras que mais se ouviam. É disso que falam, também, muitos caldenses no coração da cidade, a Praça da Fruta.
“É um orgulho ter alguém das Caldas com um cargo de destaque, espero que ele faça um bom trabalho… se o deixarem”, nota Regina Carreira, vendedora na Praça da Fruta há mais de 40 anos, que reforça ter ficado “contente com a vitória que ele teve”.
Um pouco mais acima, Lia Barbosa tem sentimento idêntico. “É sempre diferente, é uma coisa mais fina, sair um Presidente da República das Caldas da Rainha, Deus queira que ele saiba governar bem”, afirma.
As duas vendedoras dizem que, na manhã do rescaldo das eleições, não há muitas conversas entre os clientes sobre a vitória de António José Seguro, talvez porque o mau tempo tirou muita gente da rua, “ou talvez porque as pessoas não se tenham apercebido ainda bem”, diz Regina Carreira. A vendedora, que está acostumada a ver António José Seguro e Margarida a fazer compras na Praça, acredita que ter um Presidente da República a morar nas Caldas pode ser bom, até para as vendas. “Pode ser que se fale mais das Caldas e que traga cá mais gente, que é o que precisamos, mas só com o tempo é que vamos ver”, diz. Já Lia Barbosa não tem tanta crença nessa mudança, até porque Seguro será presidente de todos os portugueses e não só dos caldenses. “Acho que não vai mudar nada”, refere.
António José Seguro encerrou a noite eleitoral com uma mensagem de esperança e resiliência, lembrando que “Portugal já venceu tormentas piores” e que o futuro se constrói com confiança nas capacidades nacionais. Um novo ciclo político inicia-se agora em Belém, com a promessa de um Presidente que quer unir o país sem deixar ninguém para trás.
Joel Ribeiro (texto)