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Quase 3 mil papagaios-do-mar arrojados na costa portuguesa este inverno

Voluntários continuam a cruzar-se com aves no areal na região. No dia 1, na Praia Velha, em São Pedro de Moel, encontraram 50.

Aves aparecem mortas no areal FOTO: Manuel Lopes/SPEA

Está perto de atingir os 3 mil o número de papagaios-do-mar que arrojaram em Portugal este inverno. Segundo dados da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), continuam a aparecer exemplares desta espécie mortos no areal.

“As tempestades cada vez mais intensas, agravadas pelas alterações climáticas, estão a juntar-se às muitas ameaças que já fazem destas aves marinhas um dos grupos de animais mais ameaçados do mundo”, afirma a organização não-governamental (ONG), numa partilha no Facebook.

De acordo com a SPEA, no início de fevereiro começaram a surgir os primeiros arrojamentos em toda a costa portuguesa, mas principalmente na região de Peniche, na zona do litoral norte e na costa do sudoeste alentejano. No final do mês, mais de 400 papagaios-do-mar tinham sido encontrados mortos.

O fenómeno deverá estar associado às tempestades consecutivas que ocorreram em fevereiro, que podem levar algumas aves marinhas a procurar refúgio em terra e provocar “arrojamentos das aves mais fracas”.

“Mas num comboio de tempestades como o que temos vivido, são as más condições durante períodos prolongados que acabam por ter um impacto cumulativo: o mar agitado e a dificuldade em alimentar-se levam muitas aves à exaustão extrema”, explica a mesma fonte.

No caso concreto dos papagaios-do-mar, se eles tiverem dificuldade em alimentar-se durante períodos prolongados, é possível “ver a sua condição física deteriorar-se, acabando por arrojar já muito exaustos e com fraca condição física”.

“Muitos acabam por morrer, mesmo depois de resgatados, pois já estão muito fracos”, acrescenta Hany Alonso, técnico sénior de Ciência na SPEA.

Já em março, no dia 1, um grupo de voluntários realizou uma ação de limpeza na Praia Velha, em São Pedro de Moel (Marinha Grande) e encontraram 50 papagaios-do-mar arrojados. Nas últimas ações realizadas pela One Piece After Another tem sido comum cruzarem-se com estas aves no areal.

Proibido destruir ninhos de andorinhas

Com a chegada do calor, começam também a chegar as primeiras andorinhas à região para a época da nidificação. A SPEA lembra que “é proibido destruir ou remover os ninhos”.

“Se souber de alguém que quer remover os ninhos de andorinha, sugerimos que comece por tentar dissuadir a pessoa”, sugere a ONG, lembrando que um dos argumentos poderá ser o facto de a espécie ser “muito útil” no combate a pragas por comer “uma quantidade enorme” de insetos, nomeadamente moscas ou mosquitos.

Se, ainda assim, a situação persistir, deve ser comunicada ao Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da GNR (800 200 520 ou sepna@gnr.pt).