O presidente da Câmara de Leiria disse hoje, 23 de maio, que o relatório da Presidência Aberta sobre a depressão Kristin confirmou que o país mantém défice estrutural de resiliência e considerou que as conclusões devem ter ação consequente do Estado.
Numa declaração enviada à agência Lusa, Gonçalo Lopes começou por assinalar que o relatório confirma o que “os municípios têm vindo a alertar desde o primeiro dia”, que a depressão Kristin, em 28 de janeiro, “não foi apenas um fenómeno extremo circunscrito aos dias da emergência”.
“Os seus efeitos prolongaram-se muito para além desse momento, deixando impactos profundos” em habitações, empresas, infraestruturas, floresta e na vida de milhares de pessoas, afirmou o autarca.
Segundo o presidente do município, o documento confirma também que o país continua “a enfrentar um défice estrutural de preparação e resiliência perante fenómenos extremos”.
“As conclusões do relatório devem, por isso, merecer uma reflexão séria e uma ação consequente por parte do Estado, seja ao nível da proteção das infraestruturas críticas, da capacidade de resposta institucional, da gestão florestal ou da preparação das populações”, defendeu Gonçalo Lopes.
O Presidente da República considerou que as consequências do mau tempo que atingiu o país no início do ano exigem que “se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e se melhore a coordenação entre entidades no terreno.
No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 6 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades – hoje divulgado pelo jornal “Público” e a que Lusa teve acesso -, o chefe de Estado avisa, na introdução, que “para muitas famílias, empresas e comunidades, esta crise ainda não terminou”.
“As consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo do tempo. E também por isso deve continuar a vigilância sobre os apoios, sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país, e em particular do Estado, para retirar deste episódio as conclusões e as lições necessárias”, diz.
Ao longo da Presidência Aberta, as preocupações identificadas foram “a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno”.
O autarca de Leiria, concelho onde morreram seis pessoas devido ao mau tempo, manifestou satisfação com “a avaliação positiva que o relatório faz da resposta dada ao nível local” nos momentos mais críticos desta crise.
“Importa reconhecer o papel absolutamente decisivo que municípios, freguesias, bombeiros, associações e voluntários tiveram na resposta imediata à tempestade”, sustentou, destacando que “foram as estruturas de proximidade que, muitas vezes em condições extremamente difíceis, garantiram apoio às populações, restabeleceram serviços e ajudaram a evitar consequências ainda mais graves”.
Já o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, Jorge Vala, considera que o relatório da Presidência Aberta sobre o mau tempo deve servir de base para aprendizagem.
“Entendemos que este documento deve servir de base para uma aprendizagem, eu relembro que vivemos durante vários dias sem comunicações e sem energia elétrica”, disse à agência Lusa Jorge Vala, recordando que, para comunicar com os restantes nove municípios para “marcar a primeira reunião”, teve de “enviar um emissário”.
Saudando “a forma objetiva como identifica alguns constrangimentos” e relevando “a importância de apontar algumas soluções”, Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, assinalou ainda o facto de o relatório – “um bom documento” – ter sido feito num curto período.
“Só não identifica, de uma forma mais completa, a inutilidade de algumas entidades, que achamos que são redundantes e inúteis, como é o caso da AGIF [Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais], por exemplo”, declarou, considerando ser necessário fazer “um exercício sobre a utilidade de algumas das entidades que estão associadas” à questão da floresta e também a outras situações.
Além de Porto de Mós, a CIM, território gravemente afetado pela depressão Kristin, em 28 de janeiro, integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal.