A tradição de quatro países apresenta-se no centro de Leiria este sábado, na segunda edição de PovUs – Festival Internacional de Folclore. Grupos da Costa Rica, Brasil, Lituânia e Portugal mostram-se no jardim Luís de Camões a partir das 21h30 deste dia 29 de agosto. “PovUs dá mais um passo na sua aposta num folclore contemporâneo, mantendo a ligação à tradição, mas trazendo-a para a atualidade”, explica o presidente da Rancho da Região de Leiria, que organiza o festival.
André Vieira contou ao REGIÃO DE LEIRIA as novidades, os objetivos e o impacto desta iniciativa, que quer ir além da simples exibição de folclore. Como destaca o responsável, “num mundo cada vez mais globalizado e, simultaneamente, mais descaracterizado, iniciativas como esta são fundamentais para promover o respeito pelo outro, pela diferença e pela identidade individual”.
Em palco, vão estar o Rancho da Região de Leiria, a Escola de Dança NoRitmo, o Rancho de Vale Açores, de Mortágua, eenquanto, de fora, vêm “Flor de Atalaia”, de Cuiabá, Matogrosso (Brasil), “Kursiu Ainiai”, de Klaipeda (Lituânia), e “Flor de caña”, de Santa Cruz (Costa Rica).
Que novidades traz o PovUs este ano?
O PovUs dá mais um passo na sua aposta num folclore contemporâneo, mantendo a ligação à tradição, mas trazendo-a para a atualidade. Depois do trabalho desenvolvido no ano passado com o Grupo MaraBilha, a novidade desta edição é a colaboração com a Escola de Dança NoRitmo. A ideia é mostrar que o folclore não é algo parado no tempo: pode ser reinterpretado, ganhar novas linguagens e chegar a diferentes públicos, sem perder a sua autenticidade e identidade. Assim, o PovUs continua a afirmar-se em Leiria como um festival que cruza multiculturalidade, tradição e contemporaneidade.
Entre os grupos convidados, quais as principais atrações?
A representação do folclore português estará a cargo do Rancho da Região de Leiria e do Rancho Folclórico e Etnográfico de Vale Açores, que irão trazer ao festival as nossas raízes e tradições. A grande riqueza do PovUs está também no encontro com outras culturas, e este ano teremos representações do Brasil, da Costa Rica e da Lituânia. São grupos que nos permitem conhecer diferentes formas de celebrar, dançar e preservar a identidade cultural de cada povo, reforçando a aposta do festival na multiculturalidade e no diálogo entre culturas.
Qual a importância para o Rancho da Região de Leiria e para a cidade de um festival com o cariz internacional como este?
Para o Rancho da Região de Leiria (RRL) é uma enorme satisfação e também um grande orgulho conseguir criar um evento desta dimensão na nossa cidade. O PovUs representa um desafio logístico significativo: este ano, serão cerca de 90 participantes internacionais alojados na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, o que implica criar condições adequadas de acolhimento e assegurar mais de mil refeições. Tudo isto só é possível graças ao enorme espírito de voluntariado e ao empenho dos elementos do RRL, que se envolvem de forma muito dedicada na organização do festival, contando, também, com os fulcrais apoios institucionais.
Mas a importância do PovUs ultrapassa largamente o dia do festival. Durante a sua estadia, os grupos internacionais terão oportunidade de realizar outras representações e iniciativas culturais no distrito de Leiria, levando esta experiência a diferentes comunidades. Destaco, em particular, a ligação à comunidade sénior do concelho, com momentos de interação no centro de dia e lares. É uma forma de aproximar culturas e gerações e que, muitas vezes, deixam uma marca muito mais duradoura do que aquilo que acontece em palco.
Para a cidade de Leiria, receber um festival desta natureza é também uma forma de afirmar a sua dimensão cultural e a sua capacidade de acolher pessoas de diferentes países e tradições. O PovUs contribui para projetar Leiria além-fronteiras, mas também para enriquecer a própria comunidade local, através do contacto direto com outras culturas. Na nossa perspetiva, é precisamente aí que está a verdadeira importância do PovUs: é muito mais do que um festival de folclore. É uma celebração da cultura, da diversidade e do encontro entre pessoas. Num mundo cada vez mais globalizado e, simultaneamente, mais descaracterizado, acreditamos que iniciativas como esta são fundamentais para promover o respeito pelo outro, pela diferença e pela identidade individual.
