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Investigadores exploram recursos costeiros de Peniche para produção de cosméticos

O projeto Salinexis surgiu para responder à “procura crescente da indústria cosmética por ingredientes naturais diferenciadores”

Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste (ULO) estão a estudar as potencialidades da vegetação que cresce nas falésias de Peniche para ser aproveitada para o fabrico de produtos cosméticos, projeto vencedor do concurso Poliempreende.

“Esta distinção evidencia a capacidade de transformar investigação e conhecimento em projetos com potencial de aplicação e impacto económico e social. É este tipo de ligação entre a universidade, as empresas e a sociedade que queremos continuar a reforçar, criando condições para que o conhecimento produzido na ULO possa contribuir cada vez mais para o desenvolvimento do território e do país”, afirmou Carlos Rabadão, reitor da ULO, citado em nota de imprensa hoje divulgada.

O projeto Salinexis surgiu para responder à “procura crescente da indústria cosmética por ingredientes naturais diferenciadores, num contexto marcado pela sazonalidade e variabilidade das matérias-primas e pela dificuldade em garantir consistência na produção”, refere a instituição.

“Este projeto é um exemplo muito concreto da capacidade de criar novas oportunidades a partir do conhecimento desenvolvido na instituição e de aproximar a investigação das necessidades do tecido empresarial”, afirmou Eduarda Fernandes, pró-reitora da ULO para a área da Valorização do Conhecimento e Relações Empresariais.

A investigação tem como ponto de partida o funcho-marítimo (Crithmum maritimum), planta presente nas falésias de Peniche e com “características de interesse para aplicações nas áreas da cosmética e do bem-estar”.

Através de biorreatores e condições controladas, a solução biotecnológica assenta na tecnologia de cultivo vegetal, em ambiente controlado, assegurando maior consistência, rastreabilidade e independência face à sazonalidade das matérias-primas naturais.

Assim, é possível, “assegurar produtos com qualidade constante, reduzindo também a dependência da recolha de matéria-prima diretamente da natureza”.

Numa primeira fase, a equipa pretende estabelecer e otimizar o cultivo laboratorial e validar as propriedades dos compostos produzidos, avançando depois para o desenvolvimento tecnológico.

Em dois anos, a equipa tem como objetivo desenvolver um portefólio de produtos e capacidade de produção à escala piloto.

Está também a ser avaliada a possibilidade de criar uma empresa para o desenvolvimento da solução a uma escala comercial.

O projeto venceu o concurso nacional do Poliempreende, cuja final se realizou na semana passada na Universidade do Algarve.

“Este prémio é o reconhecimento de que a ideia e o conceito têm um elevado potencial de crescimento e desenvolvimento industrial. É para nós muito gratificante perceber que estamos a iniciar este trilho com grande ambição e motivação, com um objetivo claro de criar valor com impacto para a região e para a sociedade”, afirmaram Celso Alves, Joana Silva e Thalisia Cunha, investigadores da Universidade de Leiria e Oeste, e Diogo Cardoso, estudante da universidade.