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Eleitores brasileiros de Leiria contribuem para a vitória de Lula da Silva

Em Portugal, votaram na segunda volta cerca de 60 mil eleitores, de um total de 134 mil inscritos. A abstenção foi de 56%, menor que na primeira volta, que foi acima de 60%

Lula da Silva venceu na segunda volta FOTO: Isaac Fontana/Lusa

Viajar 150 quilômetros, de Leiria à Lisboa, não foi problema para os eleitores, que ficaram motivados com a mobilização das ruas nas principais cidades do Brasil, de onde partiram grandes contingentes de imigrantes atualmente em território português. Some-se a isso, a monumental articulação da campanha lulista nas redes sociais, cujas fronteiras foram ultrapassadas com relativa facilidade.

Heron Marcílio dos Passos, de 24 anos, que mora em Leiria há quatro, repetiu o trajeto desde seu local de residência para votar na Cidade Universitária lisboeta. Natural de Santa Catarina, Heron avaliou que “com Lula reeleito, o Brasil preservou a segurança da democracia e a soberania nacional, além de garantir mais políticas públicas para todos os brasileiros”, acentuou.

O sócio-fundador da associação Diáspora Global, Geraldo de Oliveira, que coordena a entidade de apoio a imigrantes brasileiros na região de Leiria, disse que ficou satisfeito com o resultado das eleições e avaliou que “como brasileiro radicado em Portugal, as urnas legitimaram o trabalho competente e sensível à causa da imigração brasileira no país”.

O dirigente destacou que a vitória de Lula “é a garantia da continuidade das relações diplomáticas do Brasil com Portugal, a continuidade de um governo democrático”, salientando o trabalho realizado pelo cônsul Alessandro Candeas e pelo embaixador Raimundo Carrero: “temos a possibilidade de avançar cada vez mais nas ações e políticas públicas no atendimento dos imigrantes brasileiros residentes em Portugal”, observou.

Respeitar escolha da maioria

Para a empresária Renata de Mattos, há oito anos em Leiria, o resultado da eleição “é o reflexo de um povo que está mais preocupado em fazer o seu ‘político de estimação’ ganhar do que mudar a atual condição do país”, avalia. Renata garante que “não seria elegendo os memos que já governaram e que mantêm o Brasil com sérios problemas de desigualdade social, distribuição de renda e disparidades regionais que vamos sair da condição de emergente”. “O Brasil precisa de mudanças reais. Somente tentando novos políticos podemos ter esperança. Por isso, queria muito ver Augusto Cury, o terceiro colocado na primeira volta, governando o país. Voltamos à estaca zero”, admitiu.

Altamir Rodrigues, natural de Curitiba, Paraná, há oito anos em Leiria, salienta que após as eleições, “sempre há vencedores e derrotados e, consequentemente, há quem celebre o resultado e quem receba o desfecho com frustração”. Para ele, passada a ressaca eleitoral, seja ela de quem venceu ou de quem perdeu, é fundamental observar com atenção as circunstâncias que cercaram todo o processo.

Rodrigues, que se identifica como um eleitor com posições ideológicas à direita, analisa que “alguns episódios ocorridos durante o pleito levantaram questionamentos que merecem reflexão. Pedidos encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tiveram respostas apenas após o encerramento da votação, o que inevitavelmente alimentou dúvidas e discussões”, observou.

Segundo a visão de Altamir, “situações como essas acabam transmitindo a impressão de insegurança jurídica. E a segurança jurídica é um dos pilares fundamentais para a estabilidade de qualquer democracia”, referiu, admitindo que a vitória da esquerda nas urnas representa a escolha da maioria e esse resultado deve ser respeitado.

A sua preocupação, disse, não está apenas no resultado das urnas, mas principalmente na capacidade das instituições de restaurar a confiança da população e do mercado. “Um país dividido politicamente encontra mais dificuldades para avançar nas reformas estruturais, atrair investimentos e acelerar seu crescimento econômico”, sinalizou.

Por fim, o brasileiro disse esperar que o Brasil consiga superar as tensões e polarizações que marcaram este período. “Mais do que a vitória de um lado ou a derrota de outro, o que realmente importa é a construção de um ambiente de estabilidade, segurança jurídica, previsibilidade econômica e respeito às instituições. Somente assim será possível criar as condições necessárias para gerar emprego, renda, investimentos e oportunidades para todos os brasileiros nos próximos anos”, concluiu.

Carlos Vasconcelos
Texto escrito na variante do português usada no Brasil


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