Quando era nova, a mãe levou-a a “virar o bucho” quando deixou de comer e quando perdia algo havia quem rezasse o Responso. Foi nesse meio que cresceu Iolanda e é o espírito dessa herança que inspira o primeiro álbum da cantautora que cresceu em Pombal.
“Quebranto” foi lançado ontem, dia 8 de outubro, está disponível em todas as plataformas online e conta com 13 temas, entre os quais os singles “Olha P’ra Ela”, “Responso” e “Noite Inteira”.
“Apesar de parte de mim ser um tanto ou quanto céptica em relação a rezas e mézinhas, sou e vivo completamente fascinada por estas tradições. Coincidência ou não, são práticas que mantêm uma geração viva e fazem-nos acreditar que talvez o mundo possa ser um bocadinho mais mágico”, afirma a artista, no comunicado oficial de lançamento de “Quebranto”.
Entre o fascínio e a dúvida, assim cresceu Iolanda e assim nasceu o seu disco de estreia, onde sobressai a memória e a tradição. A viola braguesa atravessa quase todo o disco e encontra cavaquinhos, cordas, acordeão, sintetizadores e programações, entre a música de raiz, o fado e a pop.
A abrir “Quebranto” surge a voz da avó de Iolanda, Lena: “O disco começa com alguém a tirar-me o quebranto e, após a reza, é desvendado tudo o que se encontra por baixo desse quebranto que me assombrava, desde traumas a decisões, medos a desgostos, a lutas que fervem com vontade de ser travadas”, conta Iolanda.
Ao longo do alinhamento surgem samples das vozes das Cantadeiras de Terras de Arões, ouve-se a braguesa de João Diogo Leitão na braguesa e a viola fado de Bernardo Saldanha, mas também há lugar a temas mais mexidos, que evocam o que Iolanda ouvia nas festas de aldeia. Com direcção e produção musical de Luar, Iolanda conta na escrita com autores como Carolina Deslandes, Agir, LEFT., Milhanas, Extrazen e xtinto.
Na véspera da edição, “Quebranto” foi apresentado na àCapela, em Lisboa, numa performance imersiva. A apresentação oficial está agendada para o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no dia 7 de dezembro. O concerto marca a estreia do novo disco e também será a primeira vez que Iolanda se apresenta a solo num palco em formato 360º, rodeada de público. Será o maior concerto da carreira da artista até hoje, antecipa a organização.